Pacientes ostomizados em Teresina há um ano sem bolsas do SUS, denunciam dor e risco de infecção
Teresina: Pacientes há um ano sem bolsas de ostomia do SUS

Pacientes ostomizados enfrentam crise de abastecimento de bolsas do SUS em Teresina

Pacientes ostomizados na capital piauiense estão há quase um ano sem receber as bolsas de ostomia fornecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme denúncias que revelam um cenário de sofrimento e risco à saúde. A falta do material adequado tem provocado dor intensa, queimaduras graves na pele e aumento significativo do risco de infecções entre os usuários do sistema público de saúde.

Improvisos perigosos e lesões graves

Sem acesso às bolsas corretas, muitos pacientes têm sido forçados a improvisar soluções caseiras ou utilizar modelos completamente inadequados para seu tipo específico de ostomia. Esta situação precária tem agravado lesões cutâneas e comprometido seriamente a qualidade de vida dos indivíduos afetados. Pessoa ostomizada é aquela que passou por procedimento cirúrgico de exteriorização do sistema digestório, respiratório ou urinário, necessitando de cuidados especializados constantes.

A paciente Maria Iranilde Meneses compartilhou seu drama pessoal: "Está queimada aqui na barriga, e está com um tempo que eu não uso a bolsa adequada para mim. Eu chorei, minha menina foi botar a bolsa, que não é adequada, aí eu chorei de dor". Seu relato emocionado ilustra o sofrimento diário enfrentado por dezenas de pessoas na mesma situação.

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Associação alerta para uso incorreto generalizado

A Associação dos Ostomizados do Piauí acompanha atentamente o caso e confirma que a interrupção na distribuição atinge centenas de pacientes em Teresina. Segundo Rosário Sales, vice-presidente da entidade, muitos pacientes estão utilizando bolsas de tipos completamente diferentes das recomendadas por seus médicos.

"Tem pessoas usando bolsas que seriam de duas peças, convexas, e estão usando plana. Pessoas de ileostomia, que têm fezes líquidas, estão usando bolsa de colo. Essas pessoas estão tendo queimaduras absurdas na pele", alertou a representante da associação.

Resposta da Fundação Municipal de Saúde

A Fundação Municipal de Saúde (FMS), órgão responsável pela aquisição e distribuição das bolsas de ostomia em Teresina, informou oficialmente que o material já passou por processo licitatório. Em nota, a instituição afirmou que a entrega definitiva aos pacientes depende exclusivamente dos fornecedores contratados, transferindo a responsabilidade pelo atraso.

A associação de pacientes revelou que a FMS recebeu um prazo de 45 dias, contados a partir de 10 de fevereiro, para normalizar completamente as entregas. "Há mais de um ano que estamos com a falta de bolsa", destacou Rosário Sales, evidenciando a extensão temporal do problema.

Riscos médicos e complicações graves

Médicos especialistas alertam para os perigos iminentes decorrentes do uso incorreto das bolsas de ostomia. O coloproctologista Rafael Correia Lima explica detalhadamente as consequências: "Se não houver cuidado adequado, os vazamentos podem causar queimaduras, lesões de pele e infecções. Alguns pacientes precisam de bolsas especiais, como as convexas ou de duas peças, que são mais caras e essenciais dependendo da ostomia".

O profissional enfatizou que a falta do material apropriado pode agravar significativamente o estado de saúde geral dos pacientes, criando condições para complicações que exigiriam hospitalização e tratamentos mais complexos.

Custo financeiro insustentável para pacientes

Diante da impossibilidade de esperar pela normalização do fornecimento público, muitos pacientes têm recorrido à compra particular das bolsas, mesmo sem condições financeiras para arcar com essa despesa extra. Helena Augusta, outra paciente afetada, expressou sua frustração: "É o jeito comprar. Mesmo sem poder, a gente tem que comprar. É um direito nosso e nem isso a gente tá tendo mais".

Esta situação cria uma dupla penalização: além do sofrimento físico e emocional, os pacientes ostomizados enfrentam agora um ônus econômico que muitos não podem suportar, comprometendo ainda mais sua recuperação e qualidade de vida.

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A crise no fornecimento de bolsas de ostomia em Teresina expõe falhas graves na assistência à saúde pública, colocando em risco centenas de pacientes que dependem desses materiais essenciais para sua sobrevivência digna e manutenção da saúde básica.