TCE revela que 66 mil aguardam consulta para autismo em PE
TCE: 66 mil aguardam consulta para autismo em PE

TCE revela que mais de 66 mil pessoas aguardam consulta para diagnóstico de autismo em Pernambuco

Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Pernambuco revelou que mais de 66 mil pessoas estão na fila por uma consulta com médicos capacitados para diagnosticar o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 57 municípios do estado. O estudo aponta que a fila para o diagnóstico é um dos principais desafios enfrentados em Pernambuco.

Avanços tímidos e retrocesso em Moreno

De acordo com o TCE, as cidades pernambucanas tiveram pequenos avanços na rede de atendimento e suporte para pessoas com autismo. No entanto, o município de Moreno, no Grande Recife, foi o único que registrou piora nesse cenário.

João Francisco Alves, auditor de controle externo do TCE, explica que a dificuldade não é apenas financeira. "Não se trata apenas da questão financeira. A gente viu que há problemas relacionados à própria governança. Muitos municípios não têm acesso a informações básicas sobre sua demanda, não sabem o público-alvo envolvido. Não sabendo o público-alvo, não sabem mensurar quais tipos de serviços e quais profissionais priorizar", afirmou.

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Classificação dos municípios

Em relação à rede de atendimento ao autismo, 58 municípios apresentam nível baixo, 93 têm nível muito baixo e 27 estão em situação crítica. Apenas Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul, foi classificada com nível alto de atendimento às pessoas com TEA.

A falta de apoio do poder público leva famílias a buscar alternativas. Rivânia Andrade, mãe de Pedro, de 10 anos, diagnosticado com autismo na primeira infância, precisou sair de Moreno para garantir as terapias do filho. Após dois anos de espera, ela criou uma associação no município. "Juntei meus iguais, fizemos o grupo das Mães Azuis, e veio a ideia de abrir a associação para os nossos filhos", contou.

Segundo o TCE, o atendimento em Moreno piorou nos últimos dois anos, passando de baixo para muito baixo. Entre os problemas estão a falta de protocolos para identificar sinais de autismo em crianças e a ausência de diretrizes claras para profissionais de saúde. A maioria dos municípios ainda não elabora planos terapêuticos individuais.

Resposta da Secretaria de Saúde de Moreno

Procurada, a Secretaria de Saúde de Moreno informou que, em outubro de 2023, inaugurou a Clínica da Criança, espaço com equipe multiprofissional (fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos) que realiza centenas de atendimentos. A pasta estuda expandir a estrutura e contratar novos profissionais, mas enfrenta dificuldades pela falta de especialistas no mercado. Também garante transporte para quem precisa de tratamento em outras cidades e reconhece a demanda crescente, especialmente na área do autismo.

Desafio orçamentário

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Pedro Freitas, avalia que a falta de orçamento é o principal impasse. "O financeiro sempre pesa. Ainda não temos uma política de custeio do governo federal para essas iniciativas. Mais de 60 municípios do estado já têm iniciativas locais, como a Casa Azul, mas fazem isso com caixa municipal, que é muito limitado", disse.

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