Situação crítica em São Luís com hospitais superlotados por casos respiratórios
Os hospitais de emergência de São Luís estão enfrentando uma situação de superlotação alarmante, com o município registrando mais de 900 notificações de síndrome respiratória, o que tem deixado especialistas em estado de preocupação extrema. De acordo com o último boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a capital maranhense permanece em nível alto de risco para o crescimento das síndromes respiratórias, um cenário que se agrava a cada dia.
Alerta crítico no Maranhão com tendência de crescimento acima de 95%
O boletim anterior já havia colocado o Maranhão em nível de alerta crítico para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com uma tendência de crescimento acima de 95% no longo prazo. Segundo a última atualização do Monitora Saúde, as 903 notificações registradas no estado apresentam uma concentração preocupante entre crianças pequenas, com 240 casos na faixa de 1 a 4 anos e 193 em menores de 1 ano.
Vulnerabilidade das crianças e principais vírus em circulação
Uma das principais preocupações dos especialistas é a vulnerabilidade das crianças menores, que ainda estão com o sistema imunológico em desenvolvimento, o que aumenta significativamente o risco de complicações graves. Entre esse público, o maior risco está associado ao vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto entre adultos e idosos, a principal preocupação é a circulação da influenza A, responsável pela maioria das internações e mortes registradas.
Entendendo a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
De acordo com o pediatra Rafael de Azevedo, a síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é um grupo de doenças que, na maioria dos casos, são virais e atingem crianças que muitas vezes não têm idade adequada para vacinação. “O quadro começa com cansaço; a criança não consegue se alimentar direito, não consegue ainda falar o que sente e, por causa disso, também apresenta secreção nasal, não consegue respirar direito e acaba indo para uma urgência ou emergência”, explica o especialista. Entre os sintomas da SRAG estão tosse seca, cansaço e respiração pesada.
Relato de mãe com filho cardiopata de 4 meses
O Davi, filho de Jaciely Araújo, é cardiopata e tem apenas 4 meses, um quadro de risco que preocupa profundamente a mãe. Ela conta que o cuidado é redobrado, desde o uso de máscaras até a imunização em dia. “É um cuidado ainda mais especial: ele já tomou a vacina, procuramos logo, aplicaram a vacina nele, e isso traz um pouco mais de tranquilidade, já sabendo que há uma proteção a mais. Como ele tem 4 meses, ainda evitamos sair tanto, evitamos aglomerações e receber muitas visitas, mantendo um grupo mais fechado de pessoas no convívio”, relata a mãe.
Orientações essenciais para a prevenção
Para combater a propagação das síndromes respiratórias, os especialistas recomendam:
- Manter a vacinação em dia
- Evitar aglomerações
- Priorizar ambientes ventilados
- Usar máscara em locais de risco
- Manter a higiene adequada das mãos
- Evitar contato direto com pessoas que apresentem sintomas respiratórios
Fatores que contribuem para o aumento dos casos
Ainda segundo o pediatra Rafael de Azevedo, o período de chuvas aliado ao pós-Carnaval contribui significativamente para o aumento dos casos. “É um período sazonal. É o momento em que São Luís e o Maranhão têm maior quantidade de chuvas, o que favorece o clima mais frio e chuvoso. Há também a associação com o período pós-Carnaval, que tem muita aglomeração, favorecendo a transmissão de vírus”, afirmou o médico, destacando a necessidade de medidas preventivas rigorosas.



