Setor odontológico de UBS em Manduri é interditado por falhas na esterilização
A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES) determinou a interdição do setor odontológico da Unidade Básica de Saúde (UBS) "Maria Inêz Melício", localizada no bairro Residencial Julieta, em Manduri, no interior paulista. A medida foi tomada após fiscalizações realizadas nos dias 19 e 20 de setembro, que identificaram irregularidades sanitárias graves relacionadas aos processos de esterilização de instrumentos e materiais odontológicos utilizados no atendimento à população.
Fiscalização revela problemas críticos
De acordo com informações oficiais da SES, as inspeções conduzidas pela Vigilância Sanitária estadual constataram deficiências significativas nos protocolos de esterilização, colocando em risco a segurança dos pacientes que buscam atendimento odontológico na unidade. A pasta estadual esclareceu que apenas o setor específico de odontologia foi interditado, mantendo todos os outros serviços da UBS em pleno funcionamento, sem prejuízo ao atendimento geral da comunidade.
A Secretaria de Saúde informou que foram adotadas medidas cabíveis imediatamente após a descoberta das irregularidades, porém não detalhou quais ações concretas serão implementadas para garantir a continuidade do atendimento odontológico à população de Manduri. Essa lacuna na comunicação preocupa, considerando o contexto já delicado do serviço na região.
Fila de espera ultrapassa dois meses
A interdição ocorre em um momento especialmente crítico para o acesso à saúde bucal no município. Reportagem do g1 Itapetininga e Região, publicada em 9 de março, já havia revelado que a fila de espera por um simples exame odontológico na cidade ultrapassa a marca de dois meses, evidenciando uma crise prolongada no setor.
Diante dessa situação, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) abriu uma investigação formal após receber uma denúncia anônima sobre as condições de atendimento na UBS. O processo busca apurar responsabilidades e verificar o cumprimento dos padrões profissionais exigidos.
Questionada anteriormente sobre os longos prazos de espera, a Prefeitura de Manduri afirmou, através de nota oficial, que está ciente do problema e que vem tomando medidas adequadas para reduzir o tempo de atendimento. No entanto, a recente interdição sugere que os esforços até agora têm sido insuficientes para resolver as questões estruturais.
Impacto na população e próximos passos
A interdição do setor odontológico na UBS Maria Inêz Melício deve agravar ainda mais a já precária situação do atendimento odontológico público em Manduri. Com a área fechada para correções sanitárias, os pacientes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentarão dificuldades ainda maiores para acessar tratamentos básicos e urgentes.
Especialistas em saúde pública alertam que problemas na esterilização de instrumentos odontológicos representam um risco sério de contaminação cruzada, podendo levar à transmissão de doenças infecciosas entre os pacientes. A demora na resolução dessas falhas, somada à já extensa fila de espera, configura um cenário de vulnerabilidade sanitária para a comunidade local.
Agora, a atenção se volta para as ações que serão tomadas pela Secretaria Estadual de Saúde e pela Prefeitura de Manduri para:
- Regularizar rapidamente as condições sanitárias do setor interditado
- Implementar alternativas temporárias de atendimento odontológico
- Reduzir efetivamente o tempo de espera na fila por consultas
- Fortalecer os mecanismos de fiscalização preventiva
Enquanto isso, a população de Manduri continua aguardando soluções concretas que garantam seu direito constitucional à saúde bucal de qualidade, em um serviço público que atenda aos padrões mínimos de segurança e eficiência.



