RN investiga cinco surtos de intoxicação por ciguatera envolvendo 36 pessoas
RN: 5 surtos de ciguatera com 36 intoxicados em investigação

A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) divulgou nesta sexta-feira, 23 de fevereiro, que está investigando cinco surtos de intoxicação por ciguatera no estado. De acordo com a pasta, os casos estão em fase de investigação epidemiológica e envolveram um total de 36 pessoas. As informações sobre quando e onde ocorreram os casos ainda não foram divulgadas pelas autoridades sanitárias.

O que é a ciguatera e seus riscos

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com toxinas produzidas por microalgas que se proliferam em recifes de corais tropicais e subtropicais. Os sintomas variam desde enjoos e problemas gastrointestinais até manifestações neurológicas mais graves. É importante destacar que não existe tratamento específico ou antídoto para a ciguatera, sendo o manejo baseado em medidas de suporte e tratamento sintomático.

Contexto dos surtos no Rio Grande do Norte

As autoridades sanitárias já haviam explicado anteriormente que é considerado surto quando mais de dois indivíduos em um mesmo caso de possível contaminação apresentam sintomas. Neste mês de janeiro, um caso também era investigado na cidade de Touros. O primeiro surto no estado foi registrado em 2022, e desde então foram 77 casos notificados de intoxicação – abrangendo surtos confirmados e eventos ainda em investigação.

Segundo a Sesap, esses números "evidenciam a presença e circulação da ciguatera no estado do Rio Grande do Norte". Por conta das novas investigações, a pasta recomendou oficialmente o não consumo do peixe arabaiana, que tem sido associado a vários casos de contaminação.

Recomendações das autoridades de saúde

"É importante destacar que a Sesap vem monitorando esses surtos e recomenda o não consumo do peixe arabaiana. Isso se deve pela toxina que esse peixe acumula com o passar do tempo", explicou a coordenadora de vigilância em saúde do RN, Diana Rêgo. "Queremos tranquilizar a população em relação a esse monitoramento e reafirmar a vigilância pela Sesap quanto a ciguatoxinas no nosso litoral", completou a especialista.

A secretaria também emitiu uma nota técnica para orientar profissionais de saúde, população em geral, pescadores, comerciantes e serviços de alimentação quanto à prevenção de possíveis casos de intoxicação por ciguatera.

Histórico de casos no estado

De acordo com a Sesap, entre fevereiro e maio do ano passado, três surtos de ciguatera foram registrados no Rio Grande do Norte, com 18 pessoas expostas. Os casos estavam associados ao consumo de arabaiana, bicuda e dourado. O primeiro surto no estado foi registrado em 2022, acometendo dez pessoas de um mesmo núcleo familiar, associado ao consumo do peixe popularmente conhecido como bicuda (barracuda).

Desde o primeiro caso, foram registrados episódios envolvendo diferentes espécies de peixes, segundo a Sesap, com destaque para:

  • Barracuda (bicuda)
  • Cioba
  • Guarajuba
  • Arabaiana
  • Dourado

Incluindo confirmações laboratoriais da presença de ciguatoxina caribenha em algumas amostras analisadas.

Características da intoxicação por ciguatera

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Essas toxinas estão presentes em microalgas invisíveis a olho nu. Peixes pequenos comem essas algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros através da cadeia alimentar.

Quando o ser humano consome um desses peixes de médio ou grande porte, a intoxicação acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas neurológicos persistentes. A Sesap reforça ainda que as ciguatoxinas são incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais de cozimento, congelamento, salga e defumação.

Sintomas e duração da intoxicação

Segundo a Sesap, os principais sinais e sintomas da ciguatera aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por:

  1. Dor abdominal
  2. Náuseas e vômitos
  3. Diarreia
  4. Dores de cabeça
  5. Cãibras musculares
  6. Coceira intensa
  7. Fraqueza muscular
  8. Visão turva
  9. Gosto metálico na boca

Os sintomas podem persistir por semanas ou até meses, exigindo acompanhamento médico prolongado em alguns casos.

Orientações para a população

As principais recomendações da Sesap à população são:

  • Procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas
  • Identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária
  • Evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do RN (CIATOX-RN) também pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281 7005 ou WhatsApp (84) 98883-9155.

A vigilância sanitária continua monitorando a situação e reforça a importância da prevenção e notificação de casos suspeitos para conter a propagação da intoxicação no litoral potiguar.