Petrobras paralisa perfuração na Foz do Amazonas após vazamento de 18 mil litros
Petrobras para perfuração na Foz do Amazonas após vazamento (13.05.2026)

A Petrobras interrompeu a perfuração no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, após um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido sintético registrado no início do ano. O Ministério Público Federal (MPF) acionou o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) nesta terça-feira (12) para suspender a licença ambiental que autoriza a atividade. A Justiça Federal no Amapá havia mantido a autorização mesmo diante do incidente.

Principais pontos do recurso do MPF

O MPF aponta falhas técnicas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), alertando para riscos não considerados, como o afundamento do óleo e possíveis danos aos recifes de corais da Amazônia. Além disso, destaca fragilidades nos planos de emergência para acidentes e a ausência de avaliação das emissões de gases de efeito estufa na fase de exploração, ignorando a crise climática.

Outro ponto crítico é a falta de consulta prévia a comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, o que descumpre a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

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Impactos ambientais e sociais

O MPF sustenta que os estudos atuais são insuficientes para prever cenários reais de dispersão de óleo, colocando em risco ecossistemas sensíveis. A logística da exploração, incluindo tráfego de aeronaves e embarcações, também pode afetar a pesca artesanal e o extrativismo das comunidades locais.

O que o MPF pede

  • Suspensão imediata da licença ambiental concedida à Petrobras;
  • Nova modelagem hidrodinâmica e de dispersão de óleo, realizada por entidade independente;
  • Revisão do licenciamento com cálculo atualizado das emissões de gases de efeito estufa;
  • Consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais;
  • Indenização por danos morais coletivos, com valores revertidos às populações afetadas.

Exploração de petróleo na Foz do Amazonas

A exploração na Foz do Amazonas é considerada estratégica pela Petrobras, mas enfrenta forte oposição de órgãos ambientais e da sociedade civil. O vazamento registrado em 2026 intensificou o debate sobre os riscos em uma região de alta biodiversidade e relevância sociocultural.

Em outubro de 2025, o Ibama autorizou a perfuração de um poço em águas profundas na Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. A autorização foi exclusiva para pesquisa exploratória, e a estatal iniciou a perfuração imediatamente. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses, com resultados concretos avaliados após esse período.

Enquanto ambientalistas criticam a atividade, especialistas em petróleo destacam sua importância para a produção energética do país. O g1 entrou em contato com a Petrobras, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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