Pedagoga acreana de 33 anos morre após complicações em cirurgia de pancreatite em Santa Catarina
Pedagoga acreana morre após cirurgia de pancreatite em SC

Pedagoga acreana morre após complicações em cirurgia de pancreatite em Santa Catarina

A pedagoga acreana Asmin Nascimento da Silva Fraga, de 33 anos, faleceu na última sexta-feira (17) na cidade de Blumenau, em Santa Catarina, após enfrentar complicações no pós-operatório de uma cirurgia para retirar pedras no pâncreas, condição conhecida como pancreatite. Ela havia se mudado para o estado sulista há cerca de sete anos com o esposo e as duas filhas, em busca de melhores oportunidades de trabalho e qualidade de vida.

Histórico de saúde e desafios médicos

De acordo com Leandro Kennedy Freitas de Araújo, amigo da família há mais de duas décadas, Asmin sofria com dores abdominais desde a adolescência, frequentemente necessitando de atendimento hospitalar. "Sempre passava mal e precisava ir ao hospital", relatou ele. A jovem procurou dois médicos em Santa Catarina, mas ambos recusaram realizar a cirurgia devido à gravidade do caso, considerando-o de alto risco.

"Ela já vinha sofrendo há anos com essas pedras no pâncreas, segundo a mãe dela. Os médicos achavam perigoso e de risco, mas aí esse médico aceitou fazer e deu no que deu", explicou Leandro, destacando os perigos envolvidos no procedimento.

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Complicações pós-cirúrgicas e falecimento

Asmin foi internada na última quarta-feira (15) e submetida à cirurgia no mesmo dia, em um procedimento que durou nove horas e, inicialmente, parecia ter sido bem-sucedido. Contudo, dois dias depois, ao ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ela começou a apresentar um acúmulo anormal de líquido.

"Os médicos viram esse líquido e a levaram para sala de cirurgia novamente, tiveram que reabrir ela para drenar a secreção que não estava sendo drenada, mas ela já não estava mais tendo reação depois da cirurgia e, infelizmente, não resistiu", afirmou Leandro, descrevendo os momentos críticos que levaram ao óbito.

Família em luto e campanha de apoio

Asmin deixa o esposo, Vanderson Mendonça da Silva, e duas filhas adolescentes, que residiam com ela em Blumenau. A família enfrenta agora o desafio de custear o traslado do corpo para Rio Branco, no Acre, onde o sepultamento está planejado, com despesas estimadas em mais de R$ 18 mil. Para arrecadar fundos, foi criada uma vaquinha online, que também visa ajudar na compra de passagens aéreas para familiares, incluindo a mãe de Asmin.

"Conversei com o Vanderson para ser ele forte pelas meninas, contudo, nesse momento ele está desolado, não sabe o que fazer e está perdido. Ele me disse que perdeu a base dele. Estavam casados há 18 anos e foram em busca de melhoras de vida e trabalho", destacou Leandro, refletindo o impacto emocional da perda.

Contexto familiar e apoio institucional

Asmin era filha de Ana Maria Nascimento da Silva, presidente do Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Acre e conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher. A Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) emitiu uma nota de pesar, expressando condolências à família e amigos. "É com profundo pesar que recebemos a notícia do falecimento... Neste momento de imensa dor e sofrimento, queremos expressar nossas mais sinceras condolências", declarou a instituição.

Antes de se mudar para Santa Catarina, a família morava no bairro Tancredo Neves, em Rio Branco, onde contava com o apoio de amigos como Helena Mendes, de 61 anos, que descreveu a situação como trágica. "Eu sou praticamente mãe do esposo da Asmin e ajudei muito antes deles irem. Ele está desesperado depois dessa tragédia", relatou ela.

Entendendo a pancreatite

A pancreatite é uma doença inflamatória do pâncreas que pode ser fatal se não diagnosticada e tratada precocemente. Seus sintomas incluem dor abdominal, febre, náusea e vômitos. A condição ocorre quando enzimas pancreáticas começam a digerir o próprio órgão, podendo causar danos graves. As principais causas são o consumo excessivo de álcool e a formação de cálculos biliares, com maus hábitos como tabagismo e dieta gordurosa contribuindo para o risco.

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Até este domingo (19), a família ainda não havia conseguido arrecadar o valor total necessário, e o corpo de Asmin permanece em Blumenau, aguardando a solução financeira para o traslado.