Mulher morre e mais de 100 pessoas passam mal após comerem em pizzaria na Paraíba
A perícia não identificou sinais clássicos de intoxicação na necropsia da mulher que morreu após comer em uma pizzaria em Pombal, no Sertão da Paraíba. Segundo o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), exames toxicológicos ainda estão em andamento e serão determinantes para esclarecer a causa da morte e o surto que deixou mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação alimentar.
Análise inicial não aponta elementos típicos
De acordo com o diretor do núcleo de Cajazeiras, Luis Rustenis, a análise inicial do corpo não apontou elementos típicos de intoxicação nos órgãos. “Durante a necropsia, não foi evidenciado sinal clássico de intoxicação. Solicitamos exames toxicológicos, fizemos a coleta do material biológico para se fazer uma pesquisa de substâncias exógenas que possa ter relação com esse caso. Se foi ingerida essa substância, muito provavelmente deve vir no exame toxicológico”, explicou.
Segundo Rustenis, o Código de Processo Penal estabelece prazo de até 10 dias para a emissão dos laudos, mas esse período pode ser ampliado diante da demanda. Com a conclusão dos exames toxicológicos e da necropsia, o trabalho pericial deve ser finalizado e encaminhado à autoridade policial.
Polícia Civil apura dois crimes no inquérito
A Polícia Civil apura dois crimes no inquérito que foi aberto para investigar a morte de uma mulher e o registro de mais de 100 pessoas com sintomas de intoxicação alimentar após comerem na pizzaria. A informação foi confirmada ao g1 pelo delegado Rodrigo Barbosa.
O primeiro crime investigado é o de homicídio culposo, em razão da morte da cliente, de acordo com o delegado. A vítima foi submetida a exame toxicológico, e amostras do corpo, dos alimentos e das pizzas foram recolhidas. O resultado do exame é estimado para sair em cerca de duas semanas.
“A morte dela passa a ser considerada um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos que foram usados e tentar descobrir a possível contaminação”, afirmou o delegado.
Já o segundo crime envolve o consumo de alimento impróprio, previsto na Lei 8.137, que trata das relações de consumo. A infração consiste em vender, expor à venda ou entregar mercadoria em condições impróprias ao consumo, com pena de detenção de dois a cinco anos ou multa.
“A princípio, tem o crime relacionado ao consumo, que seria a principal linha de investigação. O mais importante é saber o que causou essas intoxicações. Quem tiver agido com negligência, ainda que de forma não culposa, pode responder. Pode ser o dono ou mesmo vendedores dos alimentos”, explicou.
Dono da pizzaria se pronuncia sobre o caso
Em um vídeo enviado ao g1 pela advogada Raquel Dantas, que representa Marcos Antônio, dono do estabelecimento, ele disse que lamenta a morte da mulher de 44 anos e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.
“Quero salientar também que jamais eu tive a intenção de machucar qualquer pessoa, prejudicar qualquer pessoa. Porque eu sou jovem, tenho 24 anos e meu comércio é minha vida. Então, jamais iria me sabotar, jamais iria prejudicar, porque tudo o que conquistei foram seis anos de muita luta, muita renúncia e dificuldade. Minha última intenção seria prejudicar justamente os clientes que dão meu sustento, que dão meu pão”, disse.
Sobre essas investigações, ele afirmou que está colaborando com todos os órgãos citados e que também procura entender como aconteceu o caso que levou essa quantidade de pessoas a procurar atendimento médico.
“Eu estou colaborando com a vigilância, fornecendo amostras, com a Polícia Civil também, que eles pediram também, estamos enviando isso, estou entregando porque eu preciso da verdade. (Estou colaborando) com a prefeitura também. Eu preciso da verdade para me sentir bem”, ressaltou.
Detalhes sobre a vítima fatal
A mulher que morreu após comer na pizzaria foi identificada como Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do domingo (15), ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve mais problemas graves na saúde.
Raíssa Meritein era engenheira agrônoma, servidora pública e descrita por familiares como alguém que era ‘alegre e acolhedora’. “Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida”, disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.
Em nota, o Hospital Regional de Pombal afirmou que a “paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave”. Por volta das 8h59 de terça-feira (17), a morte foi confirmada.
Ainda no domingo, após retornarem para casa, os dois começaram a passar mal e foram para o Hospital Regional, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã de segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito na terça-feira (17).
Exames periciais com o material encontrado na pizzaria e também no corpo da mulher morta vão ser feitos, tanto pela Polícia Civil quanto por órgãos de saúde, como a Agevisa-PB, respectivamente. O sepultamento da vítima ocorreu nesta quarta-feira (18), às 10h, no Cemitério São Francisco, também em Pombal.



