Mato Grosso registra mais de 7 mil mortes maternas em cinco anos
MT tem mais de 7 mil mortes maternas em 5 anos

Mato Grosso registrou mais de 7.282 mortes maternas nos últimos cinco anos, conforme dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, atualizados até abril deste ano. Desse total, 598 vítimas eram mulheres negras, o que representa aproximadamente 8% dos casos. As indígenas aparecem na sequência, com 179 ocorrências no período, equivalentes a 2,5%.

Estudo da UFMT aponta evitabilidade

De acordo com um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) publicado em 2025, que analisou dados epidemiológicos do Ministério da Saúde, a maioria das mortes maternas é evitável. Os principais problemas identificados incluem pré-natal inadequado, estrutura insuficiente nos hospitais, falhas no atendimento e desigualdades regionais.

Números por ano e raça

As mortes maternas em Mato Grosso variaram ao longo dos anos: 2021 teve 2.019 registros, 2022 apresentou 1.265, 2023 contabilizou 1.351, 2024 teve 1.299 e 2025 registrou 1.348. Quanto à raça/cor, entre 2021 e 2025, foram 598 mortes de negras, 179 de indígenas e 45 de brancas ou ignoradas.

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No Brasil, o período registrou mais de 375 mil mortes maternas, com São Paulo (78.649), Minas Gerais (35.253) e Rio de Janeiro (35.440) liderando o ranking. Mato Grosso variou entre a 13ª e a 17ª posição. A plataforma de monitoramento aponta que 2021 foi o ano com mais registros, impulsionado pela pandemia de Covid-19.

Mortes evitáveis e desigualdades sociais

“Para além de uma fatalidade evitável, a mortalidade materna consiste em um importante indicador de saúde pública que reflete as condições sociais, de qualidade de vida e de acesso aos serviços de saúde”, afirmou a professora Elyana Teixeira, do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, uma das idealizadoras do estudo.

A professora Ana Paula Muraro, também participante da pesquisa, destacou que as causas da mortalidade materna, que afetam principalmente mulheres negras e indígenas, estão ligadas às condições de vida, acesso e qualidade do cuidado. “Quando falamos de maior risco entre mulheres negras, indígenas e com menor escolaridade, estamos falando de condições de vida, acesso aos serviços, transporte, renda, informação, racismo, inserção social e qualidade do cuidado recebido. Não é uma vulnerabilidade individual, mas produzida socialmente”, explicou.

Medidas propostas

O estudo sugere ações para reduzir os números, como número suficiente de consultas de pré-natal e acesso oportuno a exames, garantia de transporte adequado entre municípios, educação permanente para profissionais de saúde e educação em saúde para início da vida sexual com segurança e contracepção adequada. “Mulheres em situação de vulnerabilidade social precisam ser acompanhadas por serviços de assistência social”, ressaltou Muraro.

Ação do estado

Atualmente, Mato Grosso conta com o Grupo Técnico Estadual de Vigilância do Óbito, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), responsável por analisar e monitorar mortes, especialmente maternas, infantis, fetais e por causas mal definidas. Segundo a pasta, o grupo atua na qualificação das informações, identificação de fatores associados e proposição de medidas para prevenção e melhoria da assistência à saúde.

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