Mãe acusa demora no Hospital da Criança de São Luís pela morte de bebê com bronquiolite
Mãe acusa demora em hospital por morte de bebê em São Luís

Tragédia em São Luís: Bebê de quatro meses morre após atendimento hospitalar

Uma bebê de apenas quatro meses de vida faleceu após ser internada no Hospital da Criança de São Luís, no Maranhão, com sintomas de bronquiolite. A mãe da criança, Luana Quiaro, acusa negligência médica e demora no atendimento como causas da morte, em um caso que ganhou grande repercussão nas redes sociais.

Relato emocionante da mãe revela falhas no sistema

Luana, moradora de Bacabal, a 250 quilômetros da capital maranhense, divulgou um vídeo no último sábado (18) detalhando os eventos trágicos. Ela afirma que sua filha recebeu assistência adequada inicialmente em sua cidade natal, mas foi orientada a buscar cuidados mais avançados em São Luís. "A pior decisão da minha vida foi transferir ela para São Luís", desabafou a mãe, que descreveu o hospital como "o pior que tem".

Demora crítica no atendimento de emergência

Segundo o relato detalhado de Luana, quando a criança chegou ao hospital municipal no dia 12 de abril, enfrentou uma espera de aproximadamente cinco horas antes de receber qualquer medicação ou soro. "Chegamos lá antes das 18h, e minha filha só foi receber medicação muito tempo depois", contou. A bebê teria ficado em uma sala com cerca de 40 outras crianças, sem alimentação adequada e apresentando sinais graves de desidratação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Luana descreveu momentos de angústia extrema: "Pense no desespero de estar com seu bebê no colo, vendo médico para lá, enfermeira para cá, e ninguém olhar para sua filha". Ela observou a respiração da criança mudar progressivamente, com os olhos começando a não abrir mais, em um quadro que se agravou rapidamente.

Evolução trágica e falecimento

O estado da bebê deteriorou-se a ponto de necessitar intubação, conforme relatado pela mãe. Mesmo após a indicação de transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), houve demora na concretização. "Eu estava vendo a frequência cardíaca dela caindo. Era como se eu estivesse vendo minha filha morrer na minha frente", disse Luana emocionada.

A criança ainda passou por um procedimento cirúrgico após identificação de ar no pulmão, mas não resistiu e faleceu no dia 14 de abril. "Ela chegou lá só com bronquiolite. Não chegou com pneumonia nem com outras complicações. Vacilaram com a vida da minha filha", afirmou a mãe, destacando que a bronquiolite exige atendimento urgente.

Posicionamento oficial da Secretaria de Saúde

Em contrapartida ao relato familiar, a Secretaria Municipal de Saúde de São Luís (Semus) informou que a criança deu entrada na rede municipal em estado grave, com quadro compatível com bronquiolite, e recebeu atendimento imediato. A nota oficial afirma que, apesar de toda assistência prestada, o quadro evoluiu de forma grave, com complicações respiratórias e infecciosas que progrediram para sepse.

A Semus se solidarizou com a família e reforçou que o atendimento seguiu todos os protocolos assistenciais estabelecidos. A secretaria destacou que a paciente foi monitorada continuamente desde a admissão, mas as complicações clínicas levaram ao óbito.

Apelo por justiça e prevenção

Luana, que além da bebê falecida tem um filho de dois anos, fez um emocionado apelo por justiça. "Minha filha se foi, mas eu tenho certeza de que ela vai salvar muitas vidas. Eu quero justiça. Isso não pode acontecer com outras mães", concluiu, agradecendo o apoio recebido durante o processo.

O caso levanta questões importantes sobre a qualidade do atendimento em emergências pediátricas e a necessidade de agilidade no tratamento de condições respiratórias graves em bebês. Enquanto a família busca respostas e responsabilização, a tragédia serve como alerta sobre os desafios enfrentados pelo sistema público de saúde em diversas regiões do país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar