Consumo de álcool entre adolescentes baianos registra queda significativa, mas uso de cigarro eletrônico dispara
Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traz dados reveladores sobre o comportamento de adolescentes baianos entre 13 e 17 anos. Entre 2019 e 2024, o estado da Bahia registrou uma redução expressiva no consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas entre jovens, porém, em contrapartida, o uso de cigarros eletrônicos mais que dobrou no mesmo período, apontando para uma transformação nos hábitos dessa faixa etária.
Queda no consumo de álcool na Bahia e em Salvador
Os números mostram que a proporção de adolescentes que já experimentaram bebidas alcoólicas na Bahia caiu de 60,6% em 2019 para 51,6% em 2024. Em nível nacional, a redução foi de 63,3% para 53,6%, indicando uma tendência positiva em todo o país. Na capital baiana, Salvador, a queda também foi marcante, embora os índices permaneçam mais elevados: 57,8% dos estudantes relataram ter experimentado álcool em 2024, contra 68,2% em 2019.
Mesmo com essa redução, Salvador passou a ocupar a quarta posição entre as capitais brasileiras com maior proporção de adolescentes que já consumiram bebidas alcoólicas, demonstrando que, apesar da melhora, o problema ainda é significativo na cidade.
Os dados do IBGE revelam padrões interessantes quando analisados por gênero e tipo de escola:
- Em Salvador, as meninas consomem mais que os meninos: 62,9% contra 52,8%
- Na Bahia como um todo: 55,3% das meninas contra 47,6% dos meninos
- O consumo é maior na rede pública de ensino tanto em Salvador (60% contra 52,6% na privada) quanto na Bahia (52% contra 49,5% na privada)
Explosão no uso de cigarros eletrônicos entre jovens baianos
Enquanto o consumo de álcool diminui, o uso de cigarros eletrônicos apresenta crescimento alarmante. Na Bahia, a proporção de adolescentes que já experimentaram vapes mais que dobrou em cinco anos, saltando de 9,6% para 21,2%. Isso significa que aproximadamente um em cada cinco estudantes baianos já teve contato com esses dispositivos.
Em Salvador, o crescimento foi menos expressivo, mas ainda assim preocupante: o índice passou de 14,6% para 17,7% no mesmo período. Na capital, o uso é ligeiramente mais frequente entre meninos (19,2%) do que entre meninas (16,3%), e também é maior na rede pública (18,9%) do que na privada (15,1%).
Na Bahia como um todo, não há diferença relevante entre os sexos (21,4% entre meninos e 21,0% entre meninas), mas o uso continua sendo mais comum entre estudantes da rede pública (22,2% frente a 15,2% na rede privada).
Queda no consumo de cigarro convencional e drogas ilícitas
Paralelamente ao crescimento dos dispositivos eletrônicos, o consumo de cigarros convencionais apresentou redução. Na Bahia, o percentual passou de 12,9% para 12,3%, mantendo o estado com o menor índice do país. Em Salvador, a queda foi mais acentuada: de 18,0% para 12,2%, colocando a capital com o menor percentual entre todas as capitais brasileiras.
A Bahia também mantém a menor proporção do país de adolescentes que já experimentaram drogas ilícitas. O índice caiu de 5,5% em 2019 para 4,3% em 2024. Em nível nacional, a taxa também recuou, de 13,0% para 8,3%. Em Salvador, o percentual passou de 9,1% para 7,7%, indicando redução, embora a capital tenha subido no ranking entre as capitais.
O perfil do consumo de drogas ilícitas mostra que o uso é mais frequente entre meninos:
- Em Salvador: 9,2% dos meninos contra 6,2% das meninas
- Na Bahia: 5,2% dos meninos contra 3,5% das meninas
- Estudantes da rede pública apresentam índices mais elevados tanto em Salvador (9,1% contra 4,6% na privada) quanto na Bahia (4,5% contra 3,5% na privada)
Os dados do IBGE pintam um quadro complexo do comportamento adolescente na Bahia, com avanços em algumas áreas, mas desafios significativos em outras, especialmente no que diz respeito ao rápido crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre os jovens baianos.



