O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) foi diagnosticado com um linfoma, conforme boletim médico divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Dirceu foi internado no dia 10 de maio para exames gerais, que revelaram a doença. Segundo o hospital, ele está em boas condições clínicas e permanecerá internado para iniciar o tratamento específico.
Contexto político
Em março, durante visita a Campinas (SP), Dirceu anunciou sua candidatura a deputado federal nas eleições de 2026. O petista, que não disputa uma eleição há 24 anos, afirmou que o objetivo é ampliar a bancada paulista do PT no Congresso e dar palanque ao presidente Lula no estado. "Nosso papel é fazer uma campanha em São Paulo, porque aqui o Lula ganhou a eleição de 2022, quando tirou 4 milhões de votos do Bolsonaro. Então queremos tirar 5, 6 do Flávio", declarou. Ele também destacou a importância de o PT disputar o governo paulista contra Tarcísio de Freitas. Dirceu completou 80 anos na última segunda-feira (16).
Histórico político
Em 2002, José Dirceu foi eleito deputado federal com 556.563 votos, sendo o segundo mais votado para o cargo. Deixou a Câmara para assumir a Casa Civil de Lula, mas saiu em junho de 2005 em meio ao escândalo do mensalão. Teve o mandato cassado em dezembro de 2005 e foi condenado em 2012, cumprindo pena. Em 2016, o Supremo Tribunal Federal concedeu perdão da pena.
O que é linfoma
Existem três grupos principais de câncer de sangue: leucemias, mielomas e linfomas. Enquanto as leucemias afetam a medula óssea, os linfomas afetam o sistema linfático, uma rede de vasos e gânglios que integra os sistemas imunológico e circulatório, conforme explica o hospital A. C. Camargo.
Os linfomas dividem-se em dois tipos: linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin (LNH). O nome deriva da descoberta do patologista britânico Thomas Hodgkin em 1832. Inicialmente chamada de "doença de Hodgkin", foi rebatizada no final do século 20 após pesquisas revelarem que a doença resulta de uma lesão no DNA de um linfócito, um glóbulo branco que defende o organismo contra infecções. A mutação transforma o linfócito em uma célula cancerosa, que se multiplica e forma tumores, geralmente nos gânglios linfáticos.
A médica Carla Casulo, diretora da área de linfoma do Instituto Wilmot de Câncer da Universidade de Rochester (EUA), compara: "Se o corpo fosse uma casa, a leucemia seria um problema que afeta a casa toda, enquanto o linfoma seria um problema que afeta os quartos. Ou seja, ele costuma se concentrar em certas partes do corpo, nos gânglios linfáticos."



