Surto de superbactéria pan‑resistente leva ao fechamento de UTI neonatal em Porto Alegre
A UTI neonatal do Hospital Fêmina, localizado em Porto Alegre, foi temporariamente fechada após a detecção de um surto da superbactéria Acinetobacter baumannii, classificada como pan‑resistente. O micro‑organismo causou a morte de um bebê recém‑nascido extremamente prematuro, com apenas 26 semanas de gestação, que testou positivo para a infecção. A situação alarmante mobilizou as autoridades de saúde e levou à implementação de medidas rigorosas de contenção.
Detalhes do surto e impacto nos pacientes
No total, 34 pacientes estavam internados na UTI neonatal quando o surto foi identificado. Entre eles, quatro testaram positivo para a Acinetobacter baumannii, incluindo o bebê que veio a óbito. Os outros três recém‑nascidos infectados permanecem em estado estável, mas estão isolados e sendo acompanhados por uma equipe exclusiva de cuidados, sem contato com outras áreas do hospital. O restante dos pacientes continua sob monitoramento contínuo, enquanto novas admissões na unidade estão suspensas como precaução.
Ameaça global da superbactéria
A Acinetobacter baumannii foi considerada uma das bactérias mais perigosas do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2024. Esta classificação leva em conta fatores como taxas de mortalidade, incidência de infecções, impacto na saúde pública e a crescente resistência aos antibióticos. A OMS descreve a bactéria como um "patógeno bacteriano oportunista emergente", frequentemente associado a infecções hospitalares, especialmente em pacientes com sistemas imunológicos vulneráveis, como recém‑nascidos em UTIs.
Resistência aos antibióticos e desafios no tratamento
O micro‑organismo é classificado como pan‑resistente, o que significa que não responde aos antibióticos disponíveis atualmente, incluindo os carbapenêmicos, que são medicamentos de reserva usados apenas em último caso. Esta resistência dificulta enormemente o tratamento das infecções e representa um grave problema de saúde pública. O uso indiscriminado de antibióticos tem contribuído para o avanço dessa resistência bacteriana, tornando infecções comuns cada vez mais difíceis de combater.
Medidas de contenção e resposta das autoridades
Diante da detecção do surto, o Hospital Fêmina adotou imediatamente protocolos de restrição máxima. A área afetada foi isolada por completo, com bloqueio de circulações internas e suspensão temporária de novas admissões. Testes foram realizados em todos os bebês internados no setor. O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), responsável pelo hospital, acionou as secretarias municipal e estadual da Saúde, além da Vigilância Sanitária, para coordenar a resposta à emergência.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre está apoiando o redirecionamento de gestantes de alto risco, com idades gestacionais entre 20 e 35 semanas, para outras maternidades da capital, garantindo a continuidade do atendimento. A Secretaria Estadual da Saúde (SES) também está acompanhando a situação de perto e se colocou à disposição para auxiliar no que for necessário.
Declarações oficiais e próximos passos
Em nota, a assessoria de comunicação do Grupo Hospitalar Conceição afirmou que as equipes da UTI neonatal e do controle de infecção do Hospital Fêmina detectaram a presença da bactéria pan‑resistente no dia 16 de abril. Imediatamente, todos os órgãos reguladores e de fiscalização foram notificados, e os procedimentos de isolamento total foram implementados. A SMS reforçou que, por medida de segurança e monitoramento de rotina, as novas admissões na unidade permanecem temporariamente suspensas.
As equipes clínicas e de enfermagem do hospital continuam atuando diligentemente para garantir que nenhum paciente internado ou gestante que busque atendimento fique sem assistência ou exposto a riscos. O monitoramento rigoroso e os protocolos de restrição máxima seguem em vigor, com acompanhamento dos serviços de regulação para assegurar que casos graves sejam transferidos para outras unidades hospitalares quando necessário.



