Moradores de Feijó conquistam previsão para entrega de hospital após protestos e reunião na Aleac
Após quase três anos de obras e intensa mobilização popular, os moradores do município de Feijó, no interior do Acre, obtiveram uma nova previsão para a conclusão da primeira etapa da reforma do Hospital-Geral Doutor Baba. Em reunião realizada nesta terça-feira (3) na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), com a Comissão de Saúde Pública e Assistência Social, ficou definido que a entrega do primeiro bloco da unidade deve ocorrer até o dia 30 de abril deste ano.
Protestos fecham BR-364 e pressionam por soluções
O encontro na Aleac foi consequência direta de um protesto organizado pela população, que chegou a fechar um trecho da BR-364 por três dias consecutivos, entre 20 e 22 de fevereiro. Os manifestantes exigiam melhorias urgentes nos serviços de saúde e a conclusão definitiva das obras do hospital, que se arrastam desde agosto de 2023. A via foi liberada apenas no fim da tarde do último dia de bloqueio, após promessas de diálogo por parte das autoridades.
Pamela Moraes, gestora de organismos de políticas para as mulheres (OPMs) do município, relatou a frustração da comunidade com os sucessivos atrasos. "O primeiro documento que temos é de dois anos atrás, com previsão de entrega para maio de 2025. Como não foi entregue, fizemos um segundo movimento, realizamos uma audiência pública, foi dado um novo prazo e, mais uma vez, descumprido", explicou ela durante a reunião. A situação obriga os moradores a buscar atendimento médico em hospitais de outras cidades, sobrecarregando o sistema regional e causando transtornos logísticos.
Detalhes da obra e justificativas para os atrasos
A reforma do Hospital-Geral Doutor Baba representa um investimento superior a R$ 5 milhões, mas enfrentou uma série de obstáculos desde o início. A primeira empresa contratada para executar os serviços teve seu contrato rescindido no ano passado, o que demandou uma nova licitação e a contratação de outra empresa, que só começou a trabalhar efetivamente em 2025.
Conforme explicou o secretário de Estado de Obras Públicas, Ítalo Lopes, parte significativa dos atrasos está relacionada à aquisição de materiais especializados. "Parte dos atrasos esteve ligada à aquisição de dutos e equipamentos de ventilação que são produzidos fora do estado", afirmou ele ao site da Aleac. Lopes também destacou a complexidade de reformar um hospital que permanece em funcionamento, mencionando que uma construção nova seria mais viável, mas os recursos destinados pelo Ministério da Saúde são específicos para reforma.
O plano atual, conforme detalhado pela Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), prevê a conclusão da obra por etapas. "Até o final de março a gestão da saúde começa a retornar para o prédio para reorganização interna, e até o final de abril o primeiro bloco estará disponível para atendimento à população", prometeu o secretário. Durante as obras, os atendimentos estão sendo realizados em um hospital provisório, conforme informou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre).
Encaminhamentos da reunião e polêmicas anteriores
Além da definição do prazo para abril, a reunião na Aleac resultou em outros encaminhamentos importantes. Ficou acordada a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores de Feijó no próprio dia da entrega da primeira etapa da obra, para prestação de contas e transparência no processo.
Os protestos recentes não são os primeiros sinais de insatisfação da população com a situação do hospital. Em janeiro de 2024, a família de Maria Daiane Souza da Silva, de 25 anos, acusou a maternidade do Hospital de Feijó de negligência após sua morte durante um parto por cesariana. Em maio de 2025, outra família perdeu Diogo Silva Albuquerque, de 12 anos, por sepse associada a celulite, também alegando falhas no atendimento. A Sesacre negou omissão em ambos os casos.
Adicionalmente, em fevereiro de 2024, o Ministério Público do Acre (MP-AC) abriu um procedimento administrativo para apurar uma possível falha do hospital ao se negar a realizar um aborto em uma gestante de feto anencéfalo. Esses episódios contribuíram para o clima de desconfiança e a pressão popular por melhorias estruturais e assistenciais.
O secretário Ítalo Lopes reforçou o compromisso do governo em finalizar a obra. "Não é interessante para ninguém manter uma obra indefinida. Estamos trabalhando para entregar essa etapa e reorganizar o restante da estrutura", argumentou, sinalizando que, após a entrega do primeiro bloco em abril, os esforços se concentrarão nas etapas subsequentes para garantir o pleno funcionamento do hospital e o atendimento adequado à população de Feijó e região.
