Greve nacional da Ebserh paralisa serviços em hospitais universitários do Rio Grande do Norte
A paralisação dos servidores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), iniciada na segunda-feira (30), está causando impactos significativos nos atendimentos aos pacientes nos hospitais universitários do Rio Grande do Norte nesta terça-feira (31). As unidades de saúde afetadas no estado incluem o Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e o Hospital Escola Maternidade Januário Cicco, ambos localizados em Natal, além do Hospital Universitário Ana Bezerra, situado em Santa Cruz.
Serviços essenciais mantidos, mas atendimentos ambulatoriais sofrem redução
De acordo com informações divulgadas pela própria Ebserh, os serviços considerados essenciais, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e as enfermarias, continuam funcionando normalmente nas três unidades hospitalares. No entanto, a situação é bem diferente para os atendimentos ambulatoriais, a realização de exames e as cirurgias eletivas, que estão operando de forma parcial.
Isso significa que muitos procedimentos podem ser cancelados ou remarcados sem aviso prévio, conforme alerta a Empresa. A greve, que tem caráter nacional, é motivada por reivindicações dos servidores por reajuste salarial e também por melhorias no vale-alimentação.
Pacientes enfrentam transtornos e relatam falta de comunicação
Na tarde desta terça-feira (31), diversos pacientes que tinham consultas e exames agendados no Hospital Universitário Onofre Lopes se viram impossibilitados de receber atendimento. Um exemplo marcante é o do agricultor João Antunes, de 50 anos, que percorreu aproximadamente 115 quilômetros, saindo de Santa Cruz com destino a Natal, para uma consulta com cardiologista que simplesmente não aconteceu.
"De seis em seis meses a gente vem. Cheguei ao meio-dia, mas às 13h30 liberaram a gente porque não tinha quem fizesse o 'eletro' [eletrocardiograma], os procedimentos para o médico atender", desabafou o agricultor. "Eu acho muito desgaste para a gente, principalmente. Para a gente que é cardíaco, doente, muitas pessoas, não só eu. Poderia avisar, ligar, dizer que não tinha mais consulta".
A agricultora Gorete Bernardino também expressou sua frustração com a falta de aviso por parte do hospital. Ela realizou uma viagem ainda mais longa, partindo de Serra de São Bento, cidade localizada a cerca de 135 quilômetros de Natal, para acompanhar o marido, Paulo Sérgio Ramos, em sua consulta médica.
"Poderia avisar, que a gente mora no interior. Não é fácil. Aí a gente não pode fazer nada, tem que sair caladinha. Se está essa greve, poderia ter ligado, avisado, que a gente não tinha vindo", afirmou Gorete. O marido, que faz acompanhamento médico desde que sofreu um infarto, teve seu atendimento prejudicado pela paralisação.
Negociações em andamento e perspectivas futuras
A Ebserh informou que continua com as negociações do acordo coletivo de trabalho, que abrange os períodos de 2026 e 2027, mantendo diálogo com os representantes dos trabalhadores. Enquanto isso, a situação permanece incerta para os pacientes que dependem dos serviços ambulatoriais e eletivos nos hospitais universitários do Rio Grande do Norte.
A greve destaca os desafios enfrentados pela saúde pública e a importância de uma comunicação eficaz entre as instituições de saúde e a população, especialmente em momentos de paralisação que afetam diretamente o acesso aos cuidados médicos.



