Farmácia de Divinópolis é proibida de fabricar medicamentos para emagrecimento sem registro na Anvisa
Farmácia proibida de fabricar emagrecedores sem registro na Anvisa

Uma farmácia de manipulação localizada em Divinópolis, Minas Gerais, foi proibida de fabricar medicamentos para emagrecimento que não possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão foi tomada pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e divulgada oficialmente nesta terça-feira, dia 7 de maio.

Decisão judicial proíbe fabricação de emagrecedores sem registro

Segundo o relator do caso, desembargador Fábio Torres de Sousa, a legislação brasileira estabelece que apenas é permitida a compra e manipulação de insumos farmacêuticos que estejam devidamente registrados no Ministério da Saúde. Esses registros são essenciais para comprovar a eficácia terapêutica e a segurança dos medicamentos junto aos órgãos reguladores.

"No caso dos autos, nota-se que os anorexígenos sibutramina, andepramona, femproporex e mazindol, utilizados pelo comércio, não têm registro na Anvisa, o que impede a comprovação formal da segurança e eficácia desses medicamentos", afirmou o desembargador em seu relatório.

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Argumentos da defesa e decisão unânime

Durante o processo judicial, já na fase de recurso, os representantes da farmácia – cujo nome não foi divulgado pelas autoridades – argumentaram que a Resolução nº 50/2014 da Anvisa, que regulamenta especificamente a utilização de substâncias anorexígenas, não se aplicaria aos medicamentos manipulados. Portanto, segundo essa linha de defesa, seria indevida a exigência de registro para esses produtos.

Substâncias anorexígenas são medicamentos conhecidos popularmente como moderadores de apetite. Eles atuam diretamente no sistema nervoso central com o objetivo de diminuir a sensação de fome e induzir a saciedade no paciente.

Ainda no recurso, a farmácia alegou que a proibição de fabricar esses medicamentos contraria o direito fundamental à saúde, pois limitaria o acesso da população a tratamentos eficazes contra a obesidade, uma condição de saúde que afeta milhões de brasileiros.

No entanto, o juiz convocado Marcelo Paulo Salgado e o desembargador Carlos Levenhagen votaram de forma unânime de acordo com o relator, mantendo a decisão que proíbe a fabricação dos medicamentos sem registro. A decisão reforça a importância do cumprimento das normas sanitárias para garantir a segurança dos consumidores.

Contexto e próximos passos

O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais para esclarecer se cabe recurso contra essa decisão e aguarda um posicionamento oficial da corte. Enquanto isso, a farmácia de manipulação de Divinópolis permanece impedida de produzir os medicamentos para emagrecimento em questão.

Esta decisão judicial ocorre em um contexto onde as autoridades têm intensificado a fiscalização sobre medicamentos para emagrecimento em todo o território nacional. Recentemente, operações policiais em Minas Gerais resultaram na apreensão de centenas de ampolas de remédios para emagrecimento e anabolizantes contrabandeados, destacando os riscos associados a produtos sem regulamentação adequada.

Vale ressaltar que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento especializado para pacientes com obesidade em Divinópolis, proporcionando alternativas seguras e regulamentadas para o tratamento dessa condição de saúde.

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