Retrocesso na Saúde Global: EUA Retiram Vacinas Essenciais do Calendário Infantil
A saúde pública mundial enfrenta um ataque sem precedentes com a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar seis imunizantes essenciais do calendário infantil oficial. As vacinas afetadas incluem influenza, hepatites A e B, meningococo, rotavírus e vírus sincicial respiratório (VSR). Esta medida representa um enorme retrocesso que desafia décadas de evidências científicas e ultrapassa fronteiras, colocando em risco a imunidade coletiva global.
Impacto da Decisão Americana na Saúde Pública
Ao substituir a recomendação obrigatória pelo modelo de "decisão clínica compartilhada", o Estado americano abdica de seu papel de guia na saúde pública. Isso transfere a responsabilidade coletiva para a esfera individual, ameaçando a cobertura vacinal e a imunidade de rebanho. A lógica da vacinação é baseada na proteção coletiva, e quando o Estado retira o respaldo institucional, sinaliza que a vacina é opcional, o que pode levar a quedas alarmantes na adesão.
Estatísticas recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram um ressurgimento alarmante do sarampo entre 2024 e 2025, com casos globais aumentando mais de 20% devido a falhas na cobertura vacinal. Como médico, observo com preocupação que essa decisão dos EUA atua como combustível para o movimento antivacina globalmente, legitimando discursos negacionistas e fake news que já causam danos significativos.
Posição do Brasil e Avanços na Imunização
Apesar dos riscos globais, o Brasil mantém seu compromisso com a ciência através do Programa Nacional de Imunizações (PNI), uma referência mundial. Recentemente, o Ministério da Saúde incorporou a vacina/anticorpo contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) ao PNI, visando reduzir internações por bronquiolite que superlotam UTIs pediátricas anualmente.
Em 2024, o Brasil alcançou a meta de segurança nacional contra o sarampo e a poliomielite, com 95,80% de cobertura para a primeira dose da tríplice viral e 80,43% para a segunda. No entanto, ver um país líder em inovações de saúde, como os EUA, retroceder nessa pauta é um desestímulo à soberania sanitária global. Doenças como a meningite meningocócica, que pode ser fatal em poucas horas, não permitem tempo para debates compartilhados quando surtos se instalam.
Conclusão: Defesa da Ciência e da Vacinação
O Brasil deve reafirmar seu compromisso com a ciência e defender que a vacinação continue sendo um direito de todos e um dever do Estado. A proteção das crianças é um pacto geracional que não admite retrocessos. A comunidade médica, incluindo a Academia Americana de Pediatria (AAP), que mantém a recomendação dessas vacinas, oferece esperança, mas é crucial que políticas públicas globais priorizem a saúde coletiva sobre escolhas individuais.