O ex-presidente Jair Bolsonaro deu entrada na manhã desta sexta-feira, 1º de novembro, no hospital DF Star, localizado em Brasília, para realizar uma cirurgia no ombro direito. O procedimento tem como objetivo reparar o manguito rotador e outras lesões associadas na articulação. A autorização para a intervenção foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do processo de execução penal em que Bolsonaro cumpre pena.
Decisão judicial e necessidade médica
De acordo com a decisão judicial, a cirurgia foi considerada necessária com base em relatórios médicos que apontam dores intermitentes e recorrentes no ombro, tanto em repouso quanto durante movimentos. O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e tendões que estabilizam e permitem a movimentação da articulação do ombro. Quando o tratamento conservador, como fisioterapia e medicamentos, não é suficiente, a cirurgia de reparo torna-se essencial para melhorar a qualidade de vida do paciente.
O que é a cirurgia de reparo do manguito rotador?
Trata-se de um procedimento cirúrgico que visa religar os tendões que se desprenderam do osso ou reparar rasgos nessas estruturas. Atualmente, a técnica mais utilizada é a artroscopia, ou videoartroscopia, que consiste na inserção de uma microcâmera por meio de pequenas incisões. Dependendo da extensão da lesão, também pode ser optada pela cirurgia aberta.
Quando a cirurgia é indicada?
A indicação ocorre principalmente em três situações: rupturas completas ou extensas, quando o tendão está totalmente desligado do osso; falha no tratamento conservador, quando o paciente não apresenta melhora da dor ou da função após meses de fisioterapia; e lesões agudas por trauma, como quedas ou esforços súbitos que causam a ruptura.
Como o procedimento é realizado?
A cirurgia é feita em ambiente hospitalar, com o paciente sob anestesia geral, frequentemente associada a um bloqueio regional que desliga a sensibilidade do braço por algumas horas, garantindo conforto no pós-operatório. Através de pequenos furos, o médico utiliza instrumentos como o shaver, para limpar tecidos inflamados, e âncoras, que são pequenos dispositivos fixados no osso com fios de sutura de alta resistência para prender o tendão de volta ao lugar. Em alguns casos, procedimentos adicionais como a acromioplastia (raspagem de um osso para dar mais espaço ao tendão) podem ser realizados.
Duração do procedimento
O ato cirúrgico dura entre 60 e 120 minutos, dependendo da complexidade e do número de tendões afetados.
Riscos e recuperação
Embora seja uma cirurgia tecnicamente complexa, os riscos são considerados baixos e incluem infecção, rigidez do ombro, falha na cicatrização do tendão e, mais raramente, trombose ou complicações anestésicas. Os hospitais adotam protocolos rigorosos para prevenir infecções.
Processo de recuperação
O paciente precisa seguir disciplina rigorosa: uso de tipoia por 4 a 6 semanas para proteger a cicatrização; fisioterapia iniciada nas primeiras semanas para evitar rigidez (ombro congelado), evoluindo para ganho de força; e pausa em atividades diárias, com retorno entre 2 e 3 meses. Atividades de impacto ou que exigem muito do braço costumam ser liberadas após 6 meses.



