A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Fêmina, localizado em Porto Alegre, permanece interditada desde a última quinta-feira (16), após a detecção de uma bactéria multirresistente. Um recém-nascido extremamente prematuro, com apenas 26 semanas de gestação, faleceu após testar positivo para a chamada superbactéria. O agente infeccioso identificado foi a Acinetobacter baumannii, conforme informou o Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Em 2024, essa bactéria foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das mais perigosas do mundo.
De acordo com o GHC, a cepa encontrada é multirresistente, porém ainda sensível aos antibióticos já administrados aos pacientes. Não se trata de uma bactéria pan-resistente. Na área afetada da UTI, havia 15 recém-nascidos distribuídos entre as salas 0, 1 e 2. O bebê que não resistiu à infecção estava internado na sala 1. Todos os outros 14 foram submetidos a testes, e três deles, também da sala 1, apresentaram resultado positivo para a superbactéria. Dois outros pacientes, igualmente da sala 1, permanecem em monitoramento, aguardando o resultado de exames complementares. Os demais bebês testaram negativo.
Os pacientes com diagnóstico positivo continuam internados, em estado estável, recebendo tratamento com antibióticos e mantidos em isolamento, com equipe assistencial exclusiva. O hospital afirma que a situação está sob controle, sem evidências de disseminação da bactéria para outras áreas. O restante da unidade hospitalar opera normalmente.
Reabertura da UTI Neonatal
“A reabertura da UTI Neonatal será definida em conjunto com a Vigilância em Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, conforme a evolução dos pacientes e dos resultados dos exames”, declarou o GHC em nota oficial.
O que é a superbactéria Acinetobacter baumannii?
A Acinetobacter baumannii, bactéria detectada no hospital gaúcho, foi listada pela OMS em 2024 como um dos patógenos mais perigosos do mundo. A organização classifica as bactérias com base em critérios como taxas de mortalidade, incidência de infecções, impacto na saúde, desenvolvimento de resistência, transmissibilidade, evitabilidade, opções de tratamento e avanços no desenvolvimento de novos medicamentos.
Essa bactéria é descrita como um “patógeno bacteriano oportunista emergente”, comumente associado a infecções hospitalares. O risco de contaminação aumenta conforme o tempo de internação dos pacientes. Indivíduos com sistemas imunológicos comprometidos estão particularmente vulneráveis. A Acinetobacter baumannii também apresenta resistência aos carbapenêmicos, que são antibióticos de reserva utilizados apenas em último recurso. O uso indiscriminado desses medicamentos favorece o surgimento de cepas resistentes.
Atualização do GHC
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) divulgou uma atualização na quinta-feira (23) sobre a situação da UTI Neonatal do Hospital Fêmina. Na ocasião da detecção da bactéria, em 16 de abril, havia 34 bebês internados na unidade, que abrange diferentes áreas. Em uma dessas áreas, 15 recém-nascidos estavam distribuídos entre as salas 0, 1 e 2. Um bebê da sala 1 apresentou resultado positivo para Acinetobacter baumannii em hemocultura e veio a óbito. Os outros 14 foram testados, e três – todos da sala 1 – também tiveram resultado positivo. Dois pacientes da mesma sala seguem em monitoramento, aguardando resultados. Os demais, das salas 0 e 2, testaram negativo e foram liberados.
Os pacientes com resultado positivo permanecem internados, em estado estável, em tratamento com antibióticos e sob isolamento, com equipe assistencial exclusiva. A cepa identificada é multirresistente, mas sensível aos antibióticos já em uso. Desde a confirmação do caso, o hospital suspendeu temporariamente novas internações na UTI Neonatal, notificou os órgãos de saúde, reorganizou a assistência em áreas separadas com equipes exclusivas e reforçou os protocolos de controle de infecção. Não houve registro de novos casos, e a situação está sob controle, sem indícios de disseminação. O restante do hospital segue operando normalmente.
Apoio da Secretaria Municipal de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre informou que acompanha a execução dos protocolos de controle sanitário na UTI Neonatal do Hospital Fêmina e está apoiando, por meio do SAMU e da Regulação Municipal, o redirecionamento de gestantes entre 20 e 35 semanas para outras maternidades da capital, garantindo a continuidade do atendimento. Como medida de segurança e monitoramento de rotina, novas admissões na unidade estão temporariamente suspensas.



