A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu autorização ao Instituto Butantan para fabricar a vacina contra chikungunya no Brasil. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026. O imunizante, denominado Butantan-Chik, já havia sido liberado para uso no país em abril do ano anterior e é o primeiro registrado no mundo contra a doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
Público-alvo e eficácia
A Butantan-Chik é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos. Durante os testes realizados nos Estados Unidos com 4 mil voluntários de 18 a 65 anos, 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes, conforme resultados publicados na revista científica The Lancet. A vacina é fruto de uma parceria entre o Butantan e a farmacêutica franco-austríaca Valneva.
Produção nacional e impacto no SUS
Até então, a produção era restrita às fábricas da Valneva. Com a nova autorização, o Butantan poderá fabricar o imunizante em sua própria planta. Segundo o diretor do instituto, Esper Kallás, a produção local facilitará a incorporação da vacina ao Sistema Único de Saúde (SUS), com custos reduzidos e mesma qualidade. “Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível”, afirmou.
Aprovação internacional e projeto-piloto
A vacina já foi aprovada nos Estados Unidos pela FDA e na Europa pela EMA. Desde fevereiro, um projeto-piloto do Ministério da Saúde aplica o imunizante em municípios com alta incidência do vírus, como Mirassol e Bady Bassitt, no interior de São Paulo. A vacinação é contraindicada para gestantes, imunossuprimidos e imunodeficientes por ser um imunizante atenuado, tecnologia semelhante à da vacina contra febre amarela.
Entenda a chikungunya
A chikungunya é uma doença viral introduzida no Brasil em 2014, caracterizada por inchaço e fortes dores nas articulações, que podem ser incapacitantes. Em casos graves, pode levar à internação e morte. A dor crônica pode persistir por meses ou anos, afetando a saúde mental e física. Um estudo da UFRN apontou que infectados têm risco 13 vezes maior de desenvolver depressão e 76 vezes mais chances de ter problemas de locomoção.
Transmitida principalmente pelo Aedes aegypti (também vetor da dengue e zika) e pelo Aedes albopictus, a doença pode causar problemas neurológicos como encefalite, meningoencefalite e síndrome de Guillain-Barré, além de complicações pulmonares, cardiovasculares, dermatológicas, gastrointestinais e renais.
Sintomas da chikungunya
- Febre
- Dores intensas nas articulações
- Edema nas articulações
- Dor nas costas
- Dores musculares
- Manchas vermelhas pelo corpo
- Coceira na pele (generalizada ou localizada)
- Dor de cabeça
- Dor atrás dos olhos
- Conjuntivite
- Náuseas e vômitos
- Dor de garganta
- Calafrios
- Diarreia e/ou dor abdominal (mais comum em crianças)



