Iniciação sexual entre adolescentes cai na Bahia, mas casos precoces aumentam
A proporção de adolescentes baianos entre 13 e 17 anos que já tiveram relação sexual diminuiu significativamente entre 2019 e 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, o levantamento aponta um crescimento alarmante na iniciação sexual precoce, antes dos 13 anos, e também nos casos de violência sexual contra estudantes.
Queda geral na atividade sexual
Na Bahia, apenas 30,8% dos adolescentes relataram ter tido ao menos uma relação sexual em 2024, um percentual menor do que os 35% registrados em 2019. Esse índice se aproxima da média nacional, que também recuou de 35,4% para 30,4% no mesmo período. Com essa redução, o estado passou da 15ª para a 13ª posição entre as 27 unidades da Federação.
Em Salvador, a capital baiana, o recuo foi ainda mais expressivo: de 39,9% em 2019 para 31,3% em 2024. Com isso, Salvador deixou de ocupar a 3ª posição entre as capitais com maior proporção de adolescentes sexualmente ativos e caiu para o 10º lugar no ranking nacional.
Os dados da pesquisa evidenciam que a iniciação sexual continua sendo mais frequente entre meninos e estudantes da rede pública de ensino. Na Bahia, 37,1% dos adolescentes do sexo masculino já tiveram relação sexual, contra apenas 25% das meninas. Entre os estudantes da rede pública, o percentual foi de 33,1%, enquanto na rede privada ficou em 17,2%.
Em Salvador, os números seguem uma tendência semelhante: 34,6% dos meninos e 27,9% das meninas já haviam iniciado a vida sexual. Entre os alunos da rede pública, a proporção foi de 36,3%, contra 19,9% na rede privada.
Aumento preocupante da iniciação precoce
Apesar da redução no total de adolescentes que já tiveram relação sexual, a pesquisa indica um avanço preocupante na iniciação precoce. Na Bahia, 41,2% dos estudantes que já tiveram relação sexual disseram que a primeira vez ocorreu antes dos 13 anos. Em 2019, esse percentual era de 39,6%.
O índice estadual é superior à média nacional, que ficou em 36,8% em 2024, e coloca a Bahia como o 5º estado com maior proporção de iniciação precoce no país.
Em Salvador, o cenário é ainda mais grave: 42,5% dos adolescentes sexualmente ativos relataram início antes dos 13 anos, um aumento significativo em relação a 2019, quando o percentual era de 36,3%. A capital passou a ter a 4ª maior proporção entre todas as capitais brasileiras.
Crescimento dos casos de violência sexual
A pesquisa também revela um crescimento alarmante nos relatos de violência sexual contra adolescentes. Na Bahia, 8,6% dos estudantes afirmaram já ter sido ameaçados, intimidados ou obrigados a praticar atos sexuais contra a própria vontade. Em 2019, esse índice era de apenas 5,1%.
No Brasil, o percentual também subiu, passando de 6,3% para 8,8% no mesmo período. Todas as unidades da Federação registraram aumento, e a Bahia teve a 9ª maior alta entre os estados.
Em Salvador, os casos também cresceram: de 6% em 2019 para 8,7% em 2024. A capital deixou de ser a que tinha menor proporção desse tipo de violência e passou a ocupar a 17ª posição no ranking nacional.
As meninas são as principais vítimas dessa violência. Na Bahia, 10,2% das estudantes relataram ter sofrido violência sexual, contra 6,9% dos meninos. Em Salvador, os percentuais foram de 10,8% entre meninas e 6,6% entre meninos.
A violência sexual também é mais frequente entre alunos da rede pública de ensino. No estado, 9,2% dos estudantes dessa rede relataram casos, contra 5,5% na rede privada. Na capital, os índices foram de 10,0% e 5,7%, respectivamente.
Casos ocorrem cedo e, na maioria, com conhecidos
Conforme o levantamento do IBGE, a maioria dos casos de violência sexual ocorreu ainda na infância. Na Bahia, 70,4% dos adolescentes que sofreram esse tipo de violência disseram que isso aconteceu antes dos 13 anos. Em Salvador, o percentual foi semelhante: 71,1%. Ambos os indicadores cresceram em relação a 2019.
Os dados também mostram que, na maior parte dos casos, o agressor é alguém conhecido da vítima. Na Bahia, 76,8% dos estudantes apontaram que a violência foi cometida por pessoas próximas, sendo que 34,2% indicaram familiares como responsáveis.
Em Salvador, 76,2% dos casos envolveram pessoas conhecidas e 29,6% dos adolescentes relataram que o agressor era alguém da família. Esses números destacam a vulnerabilidade dos jovens em ambientes que deveriam ser de proteção e segurança.



