Sergio Moro escapou de armadilha pronta para tirá-lo das eleições no Paraná
O senador Sergio Moro enfrentou uma complexa trama política que poderia tê-lo deixado sem legenda para concorrer ao governo do Paraná. Segundo revelações de bastidores, União Brasil e Progressistas trabalhavam em conjunto para montar uma verdadeira arapuca eleitoral contra o ex-juiz da Operação Lava-Jato.
A estratégia da armadilha partidária
A manobra consistia em anunciar que Moro teria legenda para disputar o Palácio Iguaçu, mas, ao final da janela partidária, deixá-lo sem uma sigla para concorrer. Interlocutores próximos ao senador identificaram que o movimento partiu de figuras importantes:
- Senador Ciro Nogueira (PP-PI)
- Presidente do União Brasil, Antonio Rueda
- Governador Ratinho Júnior (PSD)
Esta não foi a primeira dificuldade partidária enfrentada por Moro. Desde 2018, quando decidiu se candidatar à Presidência da República na esteira da Lava-Jato, o político encontrou resistência sistemática dentro das legendas que integrou.
Histórico de resistências e boicotes
No Podemos, seu partido na época da primeira candidatura presidencial, Moro enfrentou todo tipo de obstáculos para viabilizar sua campanha. A situação não melhorou ao migrar para o União Brasil, onde grande parte da cúpula da sigla demonstrava aberta ojeriza ao juiz que condenou políticos por crimes de corrupção.
Com a intenção de se apresentar como pré-candidato ao governo paranaense, Moro passou a sofrer boicotes explícitos dentro do partido. Paralelamente, próceres do Paraná alinhados com o campo oposto, como o deputado Ricardo Barros (PP-PR), tentaram indicar nomes para sua chapa caso ela permanecesse ativa.
A migração estratégica para o PL
Percebendo o cheiro de fumaça, Sergio Moro anunciou sua filiação ao Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorreu após idas e vindas com o bolsonarismo e foi oficializada em cerimônia ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
O movimento provocou uma debandada de prefeitos para o campo oposto, especialmente considerando que o próprio PL havia pedido a cassação de Moro nas últimas eleições. A filiação representa uma virada significativa na trajetória política do ex-juiz.
Os temores não ditos e as novas alianças
Nos bastidores, circula o temor não explicitado de que Moro, se eleito governador, possa decidir investigar possíveis irregularidades em empresas estaduais do Paraná. Seu perfil punitivista dos tempos da Lava-Jato poderia abrir caminho para expor governos adversários.
Curiosamente, ao se filiar ao PL, Moro fez acenos conciliatórios ao adversário Ratinho Júnior, afirmando que daria "continuidade às boas coisas que o atual governo fez". O gesto é significativo considerando que o governador possui aprovação na casa dos 80%, mesmo tendo deixado a corrida presidencial.
As lições aprendidas na política
A experiência recente ensinou a Moro uma das lições fundamentais da política: fechar portas para alianças de turno pode ser fatal. Apesar dos conflitos passados e das tentativas de boicote, o ex-juiz demonstrou flexibilidade estratégica ao buscar aproximação com figuras que anteriormente trabalhavam contra sua candidatura.
O episódio revela os complexos jogos de poder que permeiam as disputas eleitorais no Paraná e a capacidade de sobrevivência política de figuras como Sergio Moro, que conseguiu identificar e escapar de uma armadilha cuidadosamente montada para excluí-lo da disputa pelo governo estadual.



