Acre registra aumento significativo no acesso a planos de saúde privados
O estado do Acre apresentou um crescimento expressivo no número de pessoas com acesso a planos e seguros privados de saúde nos últimos doze meses. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no dia 7 de maio, o estado registrou um aumento de 1.544 beneficiários até fevereiro deste ano.
Números detalhados do crescimento
Conforme o levantamento oficial da ANS, em fevereiro de 2025, o Acre contava com 45.323 pessoas com acesso a planos de saúde privados. Até fevereiro de 2026, esse número saltou para 46.867 consumidores de serviços de saúde suplementar, representando um crescimento de 3,4% no período de um ano.
Contudo, o cenário para planos odontológicos apresenta uma realidade diferente. Enquanto os planos médico-hospitalares cresceram, os planos exclusivamente odontológicos registraram uma redução significativa. Em 2025, o Acre tinha 21.846 pessoas com planos odontológicos, número que caiu para 20.504 beneficiários em 2026, uma queda de 6,1%.
Cenário nacional comparativo
No panorama nacional, o Brasil registrou 53 milhões de beneficiários de planos de saúde até o mesmo período, com um aumento de 1.028.835 pessoas em relação a 2025. Entre os planos exclusivamente odontológicos, o cenário nacional foi positivo, com 266.637 beneficiários e um aumento de 1.282.660 pessoas.
Necessidade e desafios no acesso à saúde
Devido às dificuldades de acesso ao serviço público de saúde, muitos acreanos não abrem mão dos planos médico-hospitalares. É o caso do servidor aposentado Francivaldo Barros de Souza, de 56 anos, que utiliza plano de saúde há quase uma década para ele, sua esposa e sua neta.
"Ter plano de saúde hoje em dia é necessidade. No meu plano familiar, minha esposa já fez uma cirurgia bariátrica e a retirada de pedras na vesícula. Já eu sempre busco por atendimento emergencial quando preciso de alguma medicação", relatou o aposentado.
Entretanto, mesmo com o plano de saúde, Souza enfrenta dificuldades no atendimento. "Faço tratamento e pela primeira vez foi negado um medicamento, que, segundo eles, não tinha, mas acredito que seja devido ao custo da ampola em torno de R$ 800. Tive que ir para a Justiça", concluiu.
Baixa cobertura persiste no estado
Apesar do crescimento registrado, o Acre continua sendo um dos estados com menor acesso a planos e seguros privados de saúde no país. Um balanço do Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, realizado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) em dezembro do ano passado, confirma essa realidade.
Dos 450 municípios dos sete estados da região Norte, apenas duas cidades acreanas aparecem na lista, e em posições bastante modestas:
- Rio Branco ocupa a 16ª posição ao nível regional e 343ª ao nível nacional
- Cruzeiro do Sul aparece como 30ª regional e 411ª no nacional
A capital acreana tem cobertura de apenas 10,2% da população, enquanto a segunda maior cidade do estado apresenta apenas 1,7% de usuários de planos privados. O levantamento utilizou como fonte de dados a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e considera os planos de saúde individuais, familiares e coletivos.
Esta situação evidencia os desafios persistentes no acesso à saúde privada no estado do Acre, mesmo com o crescimento recente no número de beneficiários. A disparidade entre o crescimento dos planos médico-hospitalares e a redução nos planos odontológicos também merece atenção das autoridades e do setor de saúde suplementar.



