Relatório Mundial da Felicidade alerta: excesso de redes sociais prejudica adolescentes
Excesso de redes sociais prejudica adolescentes, diz relatório

Uma preocupação que atinge a maioria dos pais brasileiros ganhou destaque em um dos principais estudos globais sobre felicidade. O Relatório Mundial da Felicidade, divulgado nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, aponta que o uso excessivo de redes sociais está diretamente associado à piora no bem-estar de adolescentes em diferentes partes do mundo.

Brasil: um país de alta conectividade e alertas importantes

Para as famílias brasileiras, o alerta é ainda mais relevante. O país está entre os mais conectados do planeta, com cerca de nove horas diárias de uso da internet, bem acima da média global, que é de aproximadamente seis horas. Essa exposição intensa às plataformas digitais tem reflexos concretos na saúde mental dos jovens.

A chamada "queda de bem-estar" foi percebida por meio de indicadores específicos: menor satisfação com a própria vida, aumento de sentimentos como ansiedade e tristeza, além de pior percepção sobre relações sociais e autoestima. Em outras palavras, adolescentes mais expostos às redes sociais tendem a se sentir menos felizes, mais inseguros e mais pressionados socialmente.

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O estudo e sua metodologia abrangente

O Relatório Mundial da Felicidade é realizado há catorze anos pela Universidade de Oxford, em parceria com a Gallup e a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. O levantamento mais recente ouviu adolescentes de quinze anos em cinquenta países diferentes, revelando que o impacto das redes sociais não é uniforme.

Ele varia conforme o tipo de plataforma, a forma de uso e fatores como gênero e nível socioeconômico. Um dos pontos centrais do estudo é que o problema não está necessariamente no uso em si, mas no excesso. Jovens que passam menos de uma hora por dia nas redes apresentam os maiores níveis de bem-estar, inclusive superiores aos daqueles que não utilizam essas plataformas.

Já o tempo médio de uso chega a duas horas e meia diárias, patamar associado a efeitos negativos significativos. "O uso excessivo está associado a um bem-estar significativamente menor, mas aqueles que optam deliberadamente por ficar longe das redes sociais também parecem estar perdendo alguns efeitos positivos", afirma Jan-Emmanuel De Neve, diretor do Centro de Pesquisa sobre Bem-estar da Universidade de Oxford.

Diferenças de gênero: meninas são as mais afetadas

O estudo também aponta um efeito diferente entre meninas e meninos. As adolescentes são as mais impactadas pelo uso excessivo de redes sociais, apresentando níveis mais altos de ansiedade, insatisfação com o próprio corpo e sensação de inadequação.

Esses efeitos estão ligados, sobretudo, à exposição constante a padrões estéticos irreais e à dinâmica de comparação social, comum em plataformas baseadas em imagem e validação por curtidas. Entre os meninos, embora também existam impactos negativos, eles aparecem de forma menos acentuada e mais associados ao consumo de conteúdo e jogos online.

Desafios para famílias e educadores

Os dados reforçam um desafio crescente para famílias e educadores: encontrar equilíbrio no uso das redes sociais, preservando seus benefícios sem ignorar os riscos do excesso. A falta de regulamentação clara dificulta o trabalho dos pais e das escolas, que muitas vezes se sentem despreparados para lidar com essa realidade.

Por isso, países como Austrália e Espanha já tomaram medidas mais drásticas, proibindo o acesso de menores de dezesseis anos às redes sociais. Quando o estado determina limites claros, a sociedade tem um norte para agir com mais segurança e sem medo de ultrapassar fronteiras éticas.

O Relatório Mundial da Felicidade serve como um importante alerta para que pais, educadores e formuladores de políticas públicas trabalhem juntos na criação de estratégias que protejam os adolescentes dos efeitos negativos do uso excessivo das redes sociais, enquanto aproveitam seus aspectos positivos para o desenvolvimento saudável dos jovens.

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