Vapes e fertilidade: estudo alerta para riscos na saúde reprodutiva
Cigarros eletrônicos ameaçam fertilidade, dizem médicos

Apresentados como alternativa segura ao cigarro tradicional, os cigarros eletrônicos, ou vapes, acendem um sinal de alerta entre especialistas em reprodução humana. O consumo crescente entre jovens em idade fértil esconde perigos reais para a saúde reprodutiva de homens e mulheres, com potenciais consequências para a fertilidade e para gestações futuras.

Da falsa segurança aos componentes tóxicos

Desde sua popularização a partir de 2004, os vapes foram vendidos com a promessa de serem uma opção menos danosa para fumantes crônicos. A ausência de fumaça, substituída por vapor, criou uma aura de segurança. No entanto, a premissa vem sendo derrubada por evidências científicas. A composição dos líquidos e aerossóis é complexa e variável, com mais de 80 componentes já detectados entre diferentes marcas.

O calor do dispositivo leva à oxidação e decomposição dessas substâncias, gerando uma mistura inalada com mais de 8.000 aromas ou sabores diferentes. Entre os componentes identificados estão formaldeído e metais pesados, como o chumbo, conhecidos por sua toxicidade. Para piorar, a suposta exclusão da nicotina é questionável. Alguns dispositivos podem conter concentrações tão altas que equivalem a até cinco maços de cigarro convencional.

Impacto direto na fertilidade masculina e feminina

Os efeitos dessa química no sistema reprodutivo são a principal preocupação dos médicos. Em homens, estudos já mostram redução na motilidade dos espermatozoides, mesmo em vapes com sabor e alegadamente sem nicotina. O formaldeído, presente no vapor, é potencialmente tóxico para a espermatogênese.

Para as mulheres, os riscos são igualmente graves. A presença de metais como o chumbo está associada a maiores taxas de abortos espontâneos e malformações congênitas. Além disso, as toxinas podem interferir na maturação folicular, na implantação do embrião e no seu desenvolvimento inicial. O estresse oxidativo causado pelo uso do dispositivo é outro fator que prejudica a saúde reprodutiva como um todo.

Alerta para quem planeja uma família

Diante das evidências, a mensagem dos especialistas é clara. O vape não é uma alternativa segura ao cigarro comum, especialmente para pessoas em idade reprodutiva. A médica Maria do Carmo Borges de Souza, diretora da clínica Fertipraxis no Rio de Janeiro e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), é enfática.

"As pessoas que estão tentando engravidar devem estar cientes do potencial impacto dos cigarros eletrônicos na saúde reprodutiva", afirma a especialista. Ela ressalta que o alerta se estende a pacientes em tratamentos de reprodução assistida, pois o uso de vapes pode comprometer os resultados e, possivelmente, afetar a saúde dos futuros filhos.

O consumo por uma população jovem, que ainda não formou família, é visto com grande preocupação. A exposição precoce a essas toxinas pode ter efeitos de longo prazo, silenciosamente comprometendo o potencial reprodutivo de uma geração que acreditava estar fazendo uma escolha mais saudável.