Nutricionista compara proteínas: ovos vs. barrinhas, frango vs. whey, feijão vs. cookies
Proteínas: nutricionista compara alimentos naturais e industrializados

Proteínas em debate: alimentos naturais versus produtos industrializados

A indústria alimentícia tem intensificado a incorporação de proteínas em uma ampla variedade de produtos, desde leites e pães até barras, biscoitos e bolos, visando atrair consumidores. No entanto, especialistas alertam que o consumo exagerado desse nutriente pode resultar em ganho de peso e outros problemas de saúde. Uma análise detalhada comparou alimentos comuns, como ovos, frango e feijão, com produtos industrializados enriquecidos com proteína, incluindo barrinhas, whey protein e cookies.

Ovos versus barrinha de proteína

Segundo a nutricionista Lara Natacci, da Universidade de São Paulo (USP), uma barrinha de proteínas contém entre 12 e 15 gramas de proteína, em média, enquanto um ovo oferece 6,5 gramas. Portanto, dois ovos fornecem aproximadamente 13 gramas de proteína, quantidade similar à da barrinha. No entanto, a especialista destaca uma diferença crucial: o ovo é rico em diversos nutrientes, incluindo vitaminas, minerais e colina, essencial para o funcionamento cerebral. Em contraste, muitas barrinhas de proteína apresentam gordura saturada, o que desaconselha seu consumo frequente.

Peito de frango versus whey protein

Natacci comparou uma dose de whey protein com 100 gramas de peito de frango, ambos com cerca de 25 gramas de proteína. Ela explica que o frango contém vitaminas e minerais, como ferro, zinco e vitaminas do complexo B, além de promover saciedade devido à necessidade de mastigação. Já o whey, em pó misturado com água, não oferece os mesmos benefícios nutricionais e de saciedade.

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Feijão versus cookies proteicos

Outra comparação envolveu um pacote de cookies enriquecidos com proteína e uma concha grande e meia de feijão, cada um com aproximadamente 15 gramas de proteína. A nutricionista ressalta que, nessa porção de feijão, há quase 12 gramas de fibras, enquanto os cookies contêm apenas 2 a 3 gramas. As fibras são vitais para a saciedade, o bom funcionamento intestinal e a prevenção de doenças, destacando a superioridade nutricional do feijão.

Alimentos reais são suficientes para necessidades proteicas

Os especialistas enfatizam que a alimentação tradicional brasileira, composta por arroz, feijão, carne e salada, geralmente supre as necessidades diárias de proteína, tornando desnecessário o uso de suplementos. A nutricionista Sophie Deram, também pesquisadora da USP, avalia que o prato brasileiro já oferece uma riqueza de fontes proteicas, garantindo nutrição adequada sem a necessidade de produtos industrializados.

Riscos do excesso de proteína

A proteína é essencial para a formação muscular, tecidos e produção de hormônios e enzimas, mas seu consumo excessivo pode ser prejudicial. Natacci alerta que, quando consumida em excesso, a proteína não é utilizada para fins corporais e pode ser armazenada como gordura, contribuindo para o ganho de peso. Além disso, há divergências nas orientações internacionais: enquanto a nova pirâmide alimentar dos Estados Unidos sugere aumentar a ingestão de proteína animal, a Organização Mundial da Saúde recomenda quantidades menores, variando de 0,8 a 1,2 gramas por quilo de peso, contra 1,2 a 1,6 gramas sugeridas pelos EUA.

Nutricionistas lembram que essas diretrizes estrangeiras nem sempre se aplicam à realidade brasileira. Para a maioria da população, a recomendação básica é de cerca de 1 grama por quilo de peso por dia, distribuída ao longo das refeições. Um mito comum é que "quanto mais proteína, mais músculo", mas Sophie Deram esclarece que o ganho muscular depende da alimentação equilibrada e da prática de exercícios, não apenas do consumo excessivo de proteína. O corpo aproveita apenas 25 a 30 gramas por refeição, e o excedente pode ser armazenado como gordura.

Os riscos são ainda maiores para pessoas com predisposição a doenças renais. Dietas hiperproteicas podem acelerar a perda de função renal, e muitos indivíduos desconhecem essa condição, pois os sintomas surgem tardiamente. Exames simples, como creatinina e urina, podem detectar alterações precocemente.

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História de alerta: excesso de proteína e transplante de rim

A reportagem apresenta o caso do ex-atleta Tiago Guzoni, de 30 anos, que aumentou drasticamente a ingestão de proteína para ganhar massa muscular, evitando anabolizantes e focando em comida e suplementos. Após dois anos, ele começou a sentir fortes dores de cabeça durante os treinos e descobriu que seus rins estavam com apenas 50% de funcionamento. Guzoni passou oito meses em hemodiálise e, em 2024, precisou de um transplante de rim. Hoje, com acompanhamento nutricional, ele mantém uma dieta equilibrada, controlando a ingestão de proteínas e carboidratos, e reflete sobre os exageros do passado.

Em resumo, os especialistas defendem que uma alimentação baseada em alimentos reais e naturais é suficiente para atender às necessidades proteicas, enquanto o consumo excessivo de suplementos industrializados pode trazer riscos à saúde, incluindo ganho de peso e complicações renais. A moderação e o equilíbrio são chaves para uma nutrição saudável e sustentável.