Mulheres apresentam maior perda de peso com canetas emagrecedoras em comparação com homens
Os medicamentos agonistas de GLP-1, amplamente utilizados no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, podem não funcionar de forma igual para todos os pacientes. Um novo levantamento, baseado em uma análise de 64 pesquisas, sugere que as mulheres têm uma vantagem significativa na perda de peso quando utilizam as chamadas canetas emagrecedoras.
Resultados detalhados da meta-análise
Em seis estudos que separaram os resultados por gênero, envolvendo quase 20 mil participantes, as mulheres perderam cerca de 10,9% do peso corporal inicial, enquanto os homens tiveram uma redução média de 6,8%. Isso representa uma diferença de aproximadamente 4 pontos percentuais a mais para o público feminino. Os ensaios clínicos incluíram diversos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, com destaque para a semaglutida, comercializada como Ozempic e Wegovy, além de outros como dulaglutida, liraglutida e exenatida.
Os pesquisadores investigaram se características como idade, raça, etnia, índice de massa corporal inicial e níveis de hemoglobina glicada influenciavam a eficácia dos medicamentos. A resposta ao tratamento foi bastante semelhante em praticamente todos esses grupos, indicando que pacientes tendem a responder de forma uniforme, independentemente de fatores como idade ou controle glicêmico. No entanto, a exceção relevante foi justamente o gênero, com as mulheres mostrando uma perda de peso mais intensa.
Possíveis explicações para a diferença de gênero
Hemalkumar Mehta, coautor do estudo, destacou que o achado levanta questões importantes sobre como esses medicamentos funcionam em diferentes grupos de pessoas. Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores estão:
- Interações hormonais, especialmente com o estrogênio, que podem amplificar os efeitos do tratamento.
- Diferenças na composição corporal entre homens e mulheres, como uma menor massa muscular média nas mulheres.
- Metabolização distinta do medicamento, que pode variar entre os gêneros.
- Menor peso corporal médio nas mulheres, o que resulta em uma dose proporcionalmente maior por quilo de peso, potencialmente aumentando a eficácia.
Carlos Eduardo Couri, endocrinologista e pesquisador da USP de Ribeirão Preto, observa que os dados ajudam a relativizar a crença comum de que as mulheres teriam mais dificuldade para reduzir peso. Ele ressalta que a perda média de peso foi cerca de 50% maior nas mulheres do que nos homens, e esse benefício parece ocorrer independentemente da faixa etária, incluindo mulheres após a menopausa.
Limitações do estudo e perspectivas futuras
Os autores do estudo destacam que ainda há muitas lacunas a serem preenchidas sobre como diferentes perfis de pacientes respondem ao tratamento. A meta-análise apresenta algumas limitações importantes, como o fato de apenas uma parte dos ensaios clínicos ter analisado diferenças entre subgrupos por gênero e cor. Além disso, a grande maioria dos estudos teve financiamento da indústria farmacêutica, o que é comum em pesquisas sobre novos medicamentos.
Outro ponto relevante é que a análise considerou estudos publicados até julho de 2024, excluindo medicamentos mais recentes, como a tirzepatida, comercializada como Mounjaro e Zepbound, hoje considerada uma das terapias mais potentes para perda de peso. Os pesquisadores enfatizam a necessidade de mais investigações para entender os mecanismos exatos por trás dessas diferenças e otimizar o tratamento para todos os pacientes.



