Um vazamento de produto químico com potencial tóxico mobilizou equipes de emergência na manhã desta terça-feira (5) no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá. O incidente ocorreu por volta das 9h30, quando um galão com aproximadamente 5 litros de ácido peracético despencou de uma prateleira situada a uma altura de três a quatro metros. Ao atingir o solo, o recipiente se rompeu, espalhando o líquido pelo ambiente.
O produto se dispersou pelo local, dificultando a permanência dos funcionários. Alguns trabalhadores começaram a apresentar sintomas como dor de cabeça, náusea e irritação nos olhos e nas vias aéreas. Dois deles precisaram ser medicados. A área foi isolada e a Central de Abastecimento Farmacêutica precisou ser evacuada.
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) foram acionadas cerca de uma hora depois para atender a ocorrência. Para conter o produto, os bombeiros aplicaram cal na área atingida e realizaram a raspagem do material, garantindo o descarte adequado. Após o procedimento, a orientação foi para que a limpeza do local fosse feita apenas no dia seguinte, por segurança.
Funcionários relataram falta de orientação imediata sobre como agir no momento do acidente, o que pode ter aumentado a exposição ao produto. Os trabalhadores com sintomas foram afastados e orientados a permanecer em observação em casa, com recomendação de procurar atendimento médico em caso de piora.
Cortes na saúde
O acidente ocorreu pouco mais de um mês após a Prefeitura de Cuiabá apresentar uma proposta que sugeria a mudança no pagamento do adicional de insalubridade de trabalhadores da saúde de acordo com novos laudos emitidos. Os funcionários da Central de Abastecimento Farmacêutica, que foram atingidos pelo vazamento do ácido, pertencem a uma das categorias que tiveram o benefício zerado na revisão.
Segundo o município, a redução havia sido adotada para cumprir um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cuiabá (Sispumc) entrou na Justiça no dia 23 de março para tentar barrar a medida. Quatro dias depois, a Justiça proibiu cortes ou alterações no adicional. Com a decisão, a prefeitura ficou proibida de reduzir, suspender ou alterar o adicional, além de aplicar efeitos financeiros com base nos novos laudos antes da divulgação.



