Uso precoce de telas prejudica fala infantil, alertam especialistas
Telas precoces prejudicam fala infantil

O desenvolvimento da fala nas crianças tem gerado preocupação entre especialistas, diante do uso cada vez mais precoce de dispositivos digitais. Dados do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), divulgados em 2025, revelam que 44% das crianças brasileiras com até 2 anos já têm contato com telas. Entre aquelas de 3 a 5 anos, o índice sobe para 71%. Esse cenário acende um alerta, pois a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria recomendam evitar telas antes dos 2 anos, justamente por reconhecerem que a linguagem se desenvolve principalmente por meio da interação humana.

Um estudo da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, reforçou a preocupação ao associar maior exposição às telas com dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem infantil. “A criança aprende a falar olhando para o rosto do adulto, percebendo expressões faciais, escutando entonações e participando de trocas reais. A tela pode entreter, mas não substitui a interação”, explica Adriana Fiore, fonoaudióloga infantil. Segundo ela, muitas crianças expostas excessivamente às telas apresentam menor iniciativa de comunicação, vocabulário mais restrito, dificuldade de contato visual e menos interesse em interações sociais.

Além das telas, problemas auditivos também podem impactar o desenvolvimento da fala. A otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), alerta que otites de repetição e perdas auditivas leves podem passar despercebidas pelas famílias. “Muitas crianças passam períodos ouvindo de forma abafada por conta de secreções no ouvido. Isso interfere diretamente na percepção dos sons da fala e pode impactar o desenvolvimento da linguagem”, afirma. Entre os sinais de alerta estão atraso para formar frases, pouca iniciativa de comunicação, dificuldade para responder quando chamada, trocas persistentes de sons e aumento excessivo do volume da televisão.

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As especialistas reforçam que o estímulo da linguagem acontece principalmente dentro da rotina da criança e que pequenas atitudes diárias podem fazer diferença. Entre as principais orientações estão:

  • Conversar com a criança durante atividades do dia a dia;
  • Usar frases curtas e claras;
  • Ler livros e contar histórias;
  • Oferecer escolhas para incentivar respostas;
  • Esperar o tempo da criança para responder;
  • Estimular brincadeiras sem telas.

“Estimular a linguagem não é fazer a criança repetir palavras o tempo todo. A fala nasce da troca, da brincadeira e do vínculo”, finaliza Adriana Fiore.

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