Sem ghosting: segredos para a relação duradoura entre médico e paciente
Sem ghosting: segredos para relação médico-paciente

Saúde: ‘Sem ghosting’: segredos para a relação duradoura entre médico e paciente

O cirurgião bariátrico e pesquisador Cid Pitombo reflete sobre o elo invisível que sustenta o encontro entre quem cuida e quem precisa ser cuidado. Inspirado pelo filme Ghost: Do outro lado da vida, que marcou gerações ao mostrar como o amor verdadeiro e a amizade sincera podem equilibrar emoções e facilitar o entendimento de coisas difíceis, o colunista aborda a importância de uma conexão profunda entre médico e paciente.

O paciente busca o médico de forma espontânea, mas é a atitude do médico que dá continuidade a essa escolha: acolher sem pressa, transmitir segurança e honrar a confiança com responsabilidade. Conforme se conhecem melhor nas consultas, conversam e decidem dar continuidade ao vínculo. Esse convívio pode ser longo, em quartos de hospitais, salas de exames, centros cirúrgicos ou UTIs. Relações prolongadas podem sofrer desgastes, por isso o cuidado deve ser eterno.

Existe a falsa relação de amizade, onde desconfiança, incredibilidade, julgamento e ódio desmascaram quem é amigo de quem é colega. Na trama de Hollywood, um casal se ama e se entende, mas com o assassinato do marido, um falso amigo se aproxima da esposa, tentando seduzi-la e enganá-la. Na medicina, há médicos que se dedicam por anos ao estudo e cuidado do paciente, e tudo pode acabar se a relação se complicar.

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O atendimento nos dias de hoje é diverso. As pessoas mudaram, a vida mudou, mas o modelo dessa relação ainda é o mesmo: espera-se seriedade, cuidado técnico e atenção de um lado, compreensão e paciência do outro para evitar o 'ghosting' — sumiço repentino que deixa sentimento de abandono. O mais bonito é quando a presença ultrapassa os protocolos, quando algo permanece mesmo após a consulta.

É importante diferenciar intercorrência de complicação, tentativa de imprudência, descanso de negligência, ousadia para salvar de imperícia. Muitas vezes a doença se torna incontrolável ou o tratamento é limitado, e não há culpados. Hoje, mais do que nunca, os médicos devem criar e sentir que o paciente está ao seu lado, acreditando no que falam, porque é esse elo invisível que sustentará o encontro entre quem cuida e quem precisa ser cuidado.

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