Especialistas alertam sobre alimentos que evitam para prevenir intoxicações
Intoxicações alimentares continuam sendo um problema frequente no Brasil e, na maioria dos casos, poderiam ser evitadas com cuidados simples no preparo e armazenamento dos alimentos. Pensando nisso, especialistas em segurança alimentar ouvidos pelo site de Martha Stewart listaram seis itens comuns que preferem não consumir, justamente pelos riscos à saúde que esses produtos podem representar.
1. Ovos crus ou com gema mole
Apesar de populares em molhos, sobremesas e bebidas, ovos crus ou mal cozidos podem representar um perigo significativo. Segundo Kimberly Baker, especialista da Universidade Clemson, ovos crus podem conter Salmonella, uma bactéria frequentemente associada a doenças transmitidas por alimentos. A contaminação pode ocorrer ainda no trato reprodutivo da galinha ou na casca do ovo. Se não houver higienização adequada, a bactéria pode atingir o interior ao quebrar o ovo. O risco também se estende a preparações como maionese caseira, molhos para salada e receitas com clara em neve não aquecida, que são comuns na culinária brasileira.
2. Carnes, aves e peixes malpassados
Consumir carnes cruas ou mal cozidas aumenta a exposição a microrganismos como Campylobacter (comum em aves), E. coli, Listeria, Salmonella e Toxoplasma, especialmente em carne suína, de cordeiro e de caça. Mitzi Baum, da Universidade de Michigan, alerta que os sintomas incluem diarreia, cólicas, dor abdominal e febre. Em casos mais graves, podem ocorrer complicações com risco de vida, destacando a importância do cozimento adequado.
3. Massa de biscoito crua
Provar a massa antes de assar pode parecer inofensivo, mas especialistas evitam esse hábito. A farinha pode estar contaminada com E. coli, enquanto os ovos crus oferecem risco de Salmonella. A E. coli é uma das principais causas de intoxicação alimentar, com maior impacto em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida, grupos vulneráveis que exigem atenção redobrada.
4. Enlatados estufados
Latas inchadas são um sinal claro de alerta. Esse aspecto pode indicar contaminação por Clostridium botulinum, bactéria responsável pelo botulismo. O microrganismo se desenvolve em ambientes com pouco oxigênio, como o interior de latas, liberando gases que deformam a embalagem. Nessas situações, a recomendação é descartar o produto imediatamente, sem hesitação, para evitar riscos graves à saúde.
5. Folhas verdes sem higienização
Verduras como alface, rúcula e espinafre estão entre os alimentos mais suscetíveis à contaminação. Por crescerem próximas ao solo, podem absorver bactérias com mais facilidade. Como muitas vezes são consumidas cruas, a higienização adequada é indispensável, envolvendo lavagem cuidadosa e, se possível, o uso de soluções desinfetantes para garantir a segurança.
6. Sobras fora da geladeira
Deixar alimentos cozidos fora da refrigeração por longos períodos cria um ambiente propício para a multiplicação de microrganismos nocivos. A recomendação é refrigerar as sobras rapidamente e respeitar o prazo seguro para consumo, geralmente dentro de dois a três dias, para minimizar os riscos de intoxicação.
A orientação dos especialistas é clara: atenção ao preparo, ao armazenamento e à procedência dos alimentos é essencial para reduzir riscos e proteger a saúde. Um estudo da USP reforça essa mensagem, mostrando que hábitos comuns, como os citados, estão por trás de muitas doenças transmitidas por alimentos. A pesquisa, baseada em um questionário online respondido por 5 mil pessoas de todo o país, destaca a necessidade de educar a população sobre práticas seguras na compra, preparo e armazenamento de alimentos.



