Esporotricose: doença fúngica que atinge animais e humanos tem caso de cura compartilhada em Guarujá
Divanilson Paiva contraiu esporotricose após ser arranhado pelo seu gato de estimação, Bartmil, que também estava infectado pela doença. A esporotricose é uma infecção transmitida por fungos do gênero Sporothrix, que se manifesta principalmente como uma dermatite. Embora seja mais recorrente e potencialmente fatal em gatos, a enfermidade pode afetar outros animais e seres humanos, representando um risco para a saúde pública.
Transmissão e caso emblemático
Bartmil, o gato, contraiu a micose após ser arranhado por outro felino e, posteriormente, transmitiu a doença para o tutor através de um arranhão. Juntos, Divanilson e Bartmil passaram por tratamento na Unidade de Vigilância em Zoonoses de Guarujá, no litoral de São Paulo, demonstrando que a cura pode ser um processo compartilhado entre humanos e animais. Este caso serve de alerta para tutores de gatos, destacando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
O que é a esporotricose?
De acordo com a veterinária Alessandra da Silva Gonçalves, especialista em gatos, a doença é causada por fungos que vivem no ambiente, como solo úmido, matérias orgânicas, restos de plantas, madeira apodrecida, folhas secas e espinhos. "Antigamente, era conhecida como a doença do jardineiro, pois pessoas que manipulavam jardins frequentemente se contaminavam", explicou ela. A infecção ocorre quando há contato direto com o fungo, seja através de arranhões, mordidas ou secreções de animais infectados.
Por que os gatos são mais afetados?
A veterinária afirmou que qualquer animal ou pessoa pode se infectar, mas a doença é mais comum em felinos com acesso à rua. Isso se deve ao contato frequente com o meio ambiente e outros gatos. Alessandra destacou que os gatos não são vilões, mas vítimas da esporotricose. "O fungo está no ambiente, e animais com livre acesso à rua acabam se infectando e adoecendo. Por isso, enfatizamos que gatos não devem sair para dar voltinhas", disse ela.
Sintomas e manifestações
Nos felinos, a Secretaria do Estado da Saúde (SES) informou que a esporotricose se manifesta através de lesões na pele que podem evoluir para úlceras graves, afetar órgãos internos e levar à morte. Em humanos, as feridas aparecem após arranhões, mordidas ou contato com secreções de animais infectados. A veterinária Thalita de Noffri Lapa Louza descreveu: "É uma ferida que dói bastante, queima e dá sensação de ardência".
Prevenção e medidas de controle
Segundo a secretaria estadual, a prevenção inclui evitar contato direto com o fungo. Ao realizar atividades como jardinagem, trabalhos rurais ou manuseio de materiais potencialmente contaminados, é essencial usar luvas, roupas de mangas compridas e calçados fechados para proteger a pele. Além disso, o controle reprodutivo de animais por meio da castração é uma medida eficaz, pois reduz o instinto de caça, brigas e a circulação na vizinhança, diminuindo o risco de contágio.
Tratamento e cuidados necessários
Thalita enfatizou que o diagnóstico precoce é fundamental. "Se pegarmos a lesão bem no começo, conseguimos salvar o gato. Em estado avançado, pode ser fatal", explicou. No entanto, ela alertou para cuidados durante o tratamento com medicamentos antifúngicos, que podem afetar outros órgãos. O tratamento geralmente dura seis meses até o desaparecimento das lesões, mas é crucial continuar com retornos ao veterinário para acompanhamento após a recuperação.
Este caso em Guarujá ilustra a importância da vigilância em saúde pública e da educação sobre doenças zoonóticas, incentivando tutores a adotarem práticas preventivas para proteger tanto seus animais quanto a si mesmos.



