Dentista de Ribeirão Preto enfrenta investigação por complicações em cirurgias estéticas
A dentista Fernanda Borges da Silva, que atua na cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, está sendo investigada pela Polícia Civil após duas pacientes denunciarem complicações graves decorrentes de procedimentos estéticos realizados por ela. O caso mais recente envolve uma professora aposentada de 67 anos, que sofreu sangramento, inchaço e inflamação no pescoço após gastar cerca de R$ 13 mil em intervenções cirúrgicas.
Detalhes dos procedimentos e relatos das vítimas
Leslie Calandra Silveira, a professora aposentada, submeteu-se a um lifting facial, destinado a rejuvenescer o rosto e o pescoço, e a uma cervicoplastia, que visa retirar excesso de pele e gordura. Ela descreveu sintomas preocupantes que surgiram após as cirurgias, incluindo dor intensa e complicações inflamatórias. Em setembro do ano passado, outra paciente, a secretária Silvia Maria Cândido, já havia registrado uma denúncia contra a dentista devido a problemas durante um procedimento conhecido como protocolo Livcontour.
Credenciais profissionais e questionamentos do conselho
Com mais de 113 mil seguidores no Instagram, Fernanda Borges se apresenta como membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial. Em seu site, consta que a profissional possui pós-graduação em clínica geral, odontologia estética, ortodontia e harmonização facial. No entanto, o Conselho Regional de Odontologia esclareceu que a dentista não tinha autorização para realizar os procedimentos estéticos em questão.
Karina Ferrão, presidente do conselho, explicou que, embora algumas cirurgias sejam permitidas para dentistas especializados em harmonização facial, o lifting facial está entre os procedimentos vedados pela legislação vigente. "Temos uma resolução que lista alguns procedimentos estéticos que são vedados ao cirurgião-dentista, e o lifting facial é um deles", afirmou ela, destacando a irregularidade das práticas da profissional.
Clínica interditada e irregularidades sanitárias
A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto informou que a clínica onde Fernanda atende, localizada no Centro da cidade, está interditada administrativamente desde 24 de setembro de 2024. A interdição ocorreu após uma inspeção da Vigilância Sanitária, que constatou graves irregularidades, incluindo funcionamento sem licença sanitária e descumprimento das normas de controle de infecção.
Em comunicado, a Vigilância Sanitária detalhou que foram identificadas infrações graves à legislação sanitária, o que levou à proibição imediata de atendimentos no local. A clínica não possui autorização para funcionamento ou para receber pacientes desde então, reforçando os riscos à saúde pública.
Investigações policiais e posicionamento da defesa
A Secretaria de Segurança Pública confirmou que quatro vítimas já procuraram a Polícia Civil para denunciar Fernanda Borges, e diligências estão em andamento para apurar os fatos. O Conselho Federal de Odontologia também se manifestou, afirmando que o processo contra a dentista segue em sigilo, mas reafirmou que dentistas não são autorizados a realizar tais procedimentos estéticos.
Em defesa da cliente, a advogada Mônica Paula Lino alegou que Fernanda tinha autorização para os procedimentos e negou que a clínica estivesse funcionando após a interdição. "Não está havendo nenhum atendimento na clínica neste período", disse ela, acrescentando que as denúncias carecem de provas concretas. A defesa argumentou que, se houvesse atividades irregulares, a Vigilância Sanitária já teria notificado a dentista novamente.
Impacto na comunidade e alerta para a população
Este caso levanta questões importantes sobre a regulamentação de procedimentos estéticos realizados por dentistas e a segurança dos pacientes. As denúncias destacam a necessidade de verificação rigorosa das credenciais profissionais antes de se submeter a intervenções cirúrgicas. A interdição da clínica e as investigações em curso servem como um alerta para a população de Ribeirão Preto e região, enfatizando a importância de buscar profissionais devidamente habilitados e clínicas com licenças sanitárias em dia.
As autoridades continuam a monitorar a situação, enquanto as vítimas aguardam justiça e reparação pelos danos sofridos. O caso reforça a urgência de maior fiscalização no setor de saúde estética, visando proteger os cidadãos de práticas irregulares e garantir o bem-estar coletivo.



