Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso inicia investigação sobre suposta venda de medicamento em unidade pública
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) está conduzindo uma apuração nesta segunda-feira (23) após uma denúncia grave feita por uma paciente. A moradora relatou que uma médica teria tentado vender o medicamento Mounjaro dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) localizada em Cuiabá, capital do estado.
Denúncia feita durante coletiva de imprensa do prefeito
O caso veio à tona de maneira inusitada, quando a paciente interrompeu a coletiva de imprensa do prefeito Abilio Brunini (PL), que ocorria durante a entrega da reforma da Unidade de Saúde da Família (USF) no bairro Pedregal. Inicialmente, a mulher fez a reclamação enquanto o prefeito discursava, momento em que ele parou de falar e a chamou para frente das câmeras, permitindo que ela detalhasse a situação publicamente.
"Outro dia eu cheguei na UPA, morrendo de dores. Eu tinha três meses de vai e vem na UPA, tomando medicação todos os dias na veia. Eu cheguei lá e uma médica, dentro do consultório, tentou me vender mounjaro porque eu estava gorda. As dores que eu estava sentindo era da obesidade. Isso é indignante", afirmou a paciente, visivelmente emocionada.
Autoridades anunciam medidas para apurar o caso
Diante da gravidade das acusações, o prefeito Abilio Brunini anunciou imediatamente que adotará medidas para investigar o ocorrido. Paralelamente, o CRM-MT também iniciou uma apuração formal, que inclui a eventual identificação da profissional envolvida e a possibilidade de um procedimento administrativo contra ela.
O conselho destacou, no entanto, que ainda não recebeu qualquer denúncia formal relacionada ao caso, e que a investigação se baseia exclusivamente nas informações fornecidas pela moradora. Em nota, a prefeitura de Cuiabá informou que a Secretaria Municipal de Saúde orientou a paciente a registrar um boletim de ocorrência, considerando a seriedade da denúncia.
A administração municipal também afirmou que, caso as irregularidades sejam confirmadas, serão adotadas as devidas medidas administrativas para sanar a situação e garantir a integridade dos serviços de saúde pública.
Contexto sobre o medicamento Mounjaro
O Mounjaro é um medicamento que tem ganhado destaque no tratamento de condições específicas. Há apenas cinco dias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de uma nova versão do produto, chamada Mounjaro Multidose, que permite que o paciente utilize uma mesma caneta aplicadora para mais de uma dose, diferentemente do modelo tradicional de uso único.
Em junho do ano passado, a Anvisa já havia aprovado o Mounjaro como tratamento contra a obesidade, ampliando suas indicações. A caneta, que é concorrente do Ozempic (semaglutida), está sendo comercializada no Brasil desde maio, mas inicialmente só estava autorizada para o tratamento do diabetes tipo 2.
Este caso levanta questões importantes sobre a ética médica e a regulamentação da venda de medicamentos em unidades públicas de saúde, destacando a necessidade de vigilância constante para proteger os direitos dos pacientes.



