Família canadense reencontra parente desaparecido no litoral de SP após quatro anos
O corpo do canadense Karl Van Roon, que estava desaparecido há quatro anos e foi localizado pela família com ajuda de inteligência artificial, pode levar mais de um ano para voltar ao Canadá. Segundo a Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, a retirada do cadáver só pode ser feita a partir de junho de 2027 ou mediante solicitação de parentes, com autorização sanitária e decisão judicial.
Busca por meio de tecnologia avançada
Karl saiu de Vancouver, no Canadá, em 2022, e nunca mais entrou em contato com a família. Os pais, Heidi e Terry Van Roon, tentaram diferentes meios para descobrir onde o filho estava, mas foi apenas em 2025 que eles colocaram uma foto do homem em uma ferramenta de inteligência artificial e chegaram a uma reportagem de A Tribuna publicada em 8 de junho de 2024.
A notícia era sobre um homem que vivia há meses nas ruas de Santos. A reportagem foi publicada a pedido de um morador da cidade que tentava encontrar os familiares do então desconhecido, que se comunicava apenas por linguagem de sinais, mas conseguia entender inglês e italiano.
Desfecho trágico e desafios burocráticos
A esperança de um reencontro durou pouco, já que descobriram que Karl morreu um dia depois da publicação da matéria, após sofrer uma embolia pulmonar, em 2024. Não há detalhes sobre como o homem chegou ao Brasil e passou a viver em situação de rua.
Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos informou que a morte de Karl foi registrada como de pessoa não identificada. Por este motivo, o sepultamento foi realizado gratuitamente no Cemitério da Areia Branca, em 18 de junho de 2024.
A exumação do corpo somente poderá ocorrer após o prazo legal de três anos após a morte, ou seja, a partir de junho de 2027. Antes disso, a medida dependerá de autorização sanitária e de decisão judicial, mediante solicitação da família, explicou a secretaria, por meio de nota.
A mãe de Karl confirmou ao g1 que ainda não iniciou os trâmites para a exumação e translado dos restos mortais do filho, pois ainda aguarda alguns procedimentos não especificados da polícia. A secretaria ressaltou que os trâmites de translado de restos mortais seguem normas legais específicas, envolvendo legislações municipais, estaduais e federais, além de protocolos sanitários regulados por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Reconhecimento e assistência consular
Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores do Canadá explicou que as autoridades canadenses prestam assistência consular à família de Karl e mantêm contato com as autoridades brasileiras.
Após encontrarem o filho na reportagem, os pais conseguiram contato com a Polícia Civil de Santos, mas a resposta não foi a esperada. Karl foi encontrado morto aos 39 anos, em uma calçada da Rua Braz Cubas, no dia 9 de junho de 2024, após sofrer uma embolia pulmonar.
O delegado Thiago Nemi Bonametti, da 3ª Delegacia de Polícia de Investigação sobre Homicídios de Santos, contou ao g1 que a família reconheceu o canadense por meio de fotografias do corpo no Instituto Médico Legal (IML). Ele acrescentou que a ficha de identificação do cadáver foi enviada à polícia de Vancouver, onde as impressões digitais de Karl foram confirmadas.
Apesar da perda, a sensação da família do canadense também foi de alívio pelo fim das buscas. Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui, afirmou o pai do canadense, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.



