Brasileira percorre 5 mil quilômetros para resgatar memória do avô em hotel mexicano
Uma brasileira realizou uma jornada de 5 mil quilômetros com um objetivo profundamente pessoal: visitar o hotel no México onde seu avô residiu há mais de cinco décadas. Noélli Lemes Garcia, natural de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, atualmente residente no Canadá, embarcou nesta viagem emocionante para reviver os passos de seu avô Sylvino Lemes.
As origens de uma história familiar
Em entrevista exclusiva, Noélli revelou que tudo começou com fotografias e um cartão postal herdados de sua tia, que faleceu durante a pandemia de Covid-19. Seu avô, Sylvino Lemes, trabalhava em uma fábrica de papel em Pindamonhangaba quando foi convidado, em 1975, para ministrar treinamentos em outra fábrica do mesmo setor na cidade de Orizaba, no México.
"Eu sempre soube que o meu avô morou no México, mas eu tinha apenas 6 anos de idade quando ele faleceu, então, obviamente, eu nunca tive a oportunidade de conversar com ele sobre isso", compartilhou Noélli, explicando que sua mãe tinha apenas seis anos quando o avô estava no México, e ela mesma ainda não havia nascido.
A busca pelo hotel histórico
A curiosidade de Noélli se transformou em determinação quando ela decidiu planejar suas férias no ano passado. "Quando eu decidi tirar férias, eu pensei: 'Vou para o México'. E aí foi que eu pensei: 'Quer saber? Eu vou tentar ver se eu consigo descobrir onde que o meu avô foi, para eu tentar fazer alguma viagem em homenagem a ele'", contou.
A busca começou com uma fotografia que mostrava seu avô em um terraço com vista para o Pico de Orizaba, um vulcão emblemático da região. Sem saber exatamente onde ficava a cidade, Noélli recorreu a grupos de moradores nas redes sociais, onde internautas a ajudaram a identificar o local como sendo o Hotel Trueba, em Orizaba.
"Não foi tão difícil assim encontrar o hotel, porque naquela época só existiam dois hotéis na cidade. É uma cidade muito pequena, eles chamam em espanhol de 'pueblos', que são como vilas", explicou Noélli sobre a descoberta.
A jornada emocionante no México
Com o destino identificado, Noélli desembarcou na Cidade do México e seguiu para Orizaba, onde havia reservado hospedagem no mesmo Hotel Trueba que seu avô frequentou meio século antes. O primeiro dia foi frustrante devido às condições climáticas, mas no dia seguinte o céu clareou.
"No dia seguinte, o céu estava limpo e lindo, um sol maravilhoso, tirei as fotos iguaizinhas que o meu avô tirou", relatou emocionada.
Mas as surpresas não pararam por aí. Em conversa com uma funcionária do hotel, Noélli descobriu que ainda existiam fotografias dos anos 1970 nas paredes do escritório - incluindo algumas que pareciam mostrar seu avô. "Ele tem uma foto no quarto do hotel, é a mesma roupa de cama, eu falei: 'Não acredito, a mesma roupa de cama de uma das fotos que a senhora tinha lá na parede do escritório dela'", contou.
O encontro com testemunha da época
Ainda mais extraordinário foi descobrir que Marta, uma ex-recepcionista que trabalhava no hotel na década de 1970, ainda morava nas proximidades. A senhora foi convidada a conhecer Noélli no hotel e confirmou as memórias.
"Ela veio me conhecer no hotel e eu mostrei para elas as fotos. Ela falou que foi uma coisa que todo mundo falou na época, um grupo de brasileiros morando no hotel por vários meses", relatou Noélli, acrescentando que Marta também identificou a fábrica de papel onde seu avô trabalhava: a Kimberly Clark.
Após Orizaba, Noélli seguiu para Vera Cruz, cidade praiana no Golfo do México que seu avô também visitou, completando assim sua jornada de resgate histórico.
Reflexões sobre uma experiência transformadora
Noélli confessou que a dimensão emocional da experiência só se revelou completamente quando ela subiu no terraço do hotel. "Quando eu cheguei no hotel, que eu acho que a minha ficha caiu, quando eu subi no terraço. Eu acho que eu só realmente senti aquela emoção quando eu estava lá", revelou.
A brasileira adaptou sua primeira semana de viagem para incluir os lugares que seu avô frequentou e não se arrependeu. "Foi uma coisa muito interessante e foi bem emocionante para mim. [...] confesso para você que eu acho que, até o momento que cheguei lá, a minha ficha demorou para cair", finalizou, destacando o valor único desta conexão intergeracional que atravessou décadas e continentes.



