Família de Parnamirim adota bebê com síndrome de Down e cardiopatia após meses em UTI
Adoção de bebê com síndrome de Down transforma família em Parnamirim

Adoção e Síndrome de Down: uma história de amor que transformou uma família

Uma família de Parnamirim, cidade localizada na Grande Natal, no Rio Grande do Norte, vive uma história emocionante de amor e superação após adotar um bebê com síndrome de Down e cardiopatia. Arthur, que completou 8 meses no início de março, passou os primeiros meses de vida em uma Unidade de Terapia Intensiva neonatal na capital potiguar, aguardando ansiosamente por um lar que pudesse acolhê-lo com todo o carinho necessário.

O caminho até a adoção

A trajetória do pequeno Arthur começou com um gesto de entrega consciente por parte de sua mãe biológica, que desde a gravidez manifestou interesse em colocá-lo para adoção. Apesar de estar incluído no Cadastro Nacional de Adoção e disponível até para busca internacional, ninguém inicialmente se candidatou para acolher o bebê que necessitava de cuidados especiais.

A mudança em seu destino veio através de um projeto inovador do Ministério Público do Rio Grande do Norte em parceria com a Vara da Infância e da Juventude de Parnamirim. Esta iniciativa busca dar celeridade aos processos de adoção, especialmente para crianças com necessidades específicas como Arthur.

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O encontro transformador

Para o técnico em radiologia Gullyver Garção e a pedagoga Maria Helena Garção, o encontro com Arthur foi verdadeiramente transformador. Ao tomarem conhecimento do bebê através do projeto do Ministério Público, o casal não hesitou em demonstrar interesse.

"Eu amo ser pai. Sinto que minha família está completa. A gente sentiu que precisava trazer ele para casa", afirma Gullyver com emoção.

O tempo que Arthur passou na UTI em tratamento fez com que toda a equipe hospitalar criasse um laço afetivo especial com ele. "Quando chegou em casa, a gente não sabia, não tinha noção da quantidade de apoio que a gente ia ter", conta o pai adotivo. "Muita gente ajudou, muita gente do hospital que tinha um carinho por ele, porque ele passou dois meses lá. Ele andava no braço de um ou no braço de outro, e todo mundo nutriu um carinho enorme por ele".

Processo jurídico acelerado

O processo de adoção foi acompanhado com prioridade pelo Ministério Público do RN para garantir o direito à convivência familiar o mais rápido possível. Em setembro do ano passado, o casal recebeu a guarda provisória de Arthur, e o desfecho jurídico tão esperado aconteceu recentemente.

Arthur completou 8 meses no dia 2 de março e, apenas dois dias depois, recebeu o que a família chama de "presente de mesversário": a assinatura da guarda definitiva, consolidando legalmente os laços familiares.

A promotora de justiça Gerliana Rocha, que acompanhou o caso, relembra emocionada: "Quando a gente conta esse caso, todo mundo se encanta. Dizem: 'que atitude nobre, vocês são um casal iluminado'. Mas, na audiência de adoção, eles disseram: 'Não, nós somos privilegiados em ter o Arthur na nossa vida. Ele trouxe luz e bênçãos'".

A promotora completa: "É uma frase que vai me marcar, porque não é só uma decisão do casal de dizer 'vou fazer uma boa ação'. É querer ser pai e mãe e encontrar o amor nesse encontro da família".

Família unida e apoio fraterno

A família preparou a casa com todo cuidado e busca constantemente estimular Arthur para seu desenvolvimento pleno. Além dos pais, o pequeno conta com um aliado especial: seu irmão Heitor, de 8 anos, que também foi adotado pelo casal quando era bebê.

Com a chegada de Arthur, Heitor foi "promovido" a irmão mais velho e se sente extremamente feliz nessa nova função. "Gosto [de ser irmão], é como se fosse um amigo, só que é uma pessoa que vive com você na sua casa", define o estudante com simplicidade e afeto.

Buscando independência e desenvolvimento

Maria Helena, mãe adotiva de Arthur, conta que trabalha intensamente os estímulos do filho desde cedo para ajudá-lo na conquista da independência futura. "A gente tentando proporcionar para ele a melhor maneira dele se desenvolver, que a gente quer que futuramente ele seja independente. Ele tenha a profissão dele, a família", explica.

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A pedagoga acrescenta com otimismo: "A gente vê que não é tão bicho de sete cabeças. É cansativo, a rotina às vezes se torna cansativa, porque, às vezes, tem na semana duas, três vezes tem que sair para médico, para isso, para aquilo ou outro, mas é tranquilo. É cansativo nesse sentido, mas a gente sabendo o propósito que a gente quer, a gente indo em frente, dá super certo".

O Ministério Público do Rio Grande do Norte segue com o acompanhamento pós-adoção, garantindo que Arthur e sua nova família tenham todo o suporte necessário nesta jornada de amor e superação que inspira a todos que conhecem sua história.