Petição em Portugal busca proibir direção após os 75 anos, mas gera polêmica e pouca adesão
Portugal: petição quer proibir direção após 75 anos, mas tem baixo apoio

Petição em Portugal busca proibir motoristas com mais de 75 anos de dirigir

Uma petição pública em Portugal está gerando intenso debate ao propor a proibição automática da condução de veículos para pessoas com mais de 75 anos de idade. A iniciativa, que começou a recolher assinaturas em 1º de abril de 2026, tem como objetivo ser submetida à Assembleia da República portuguesa, mas enfrenta críticas significativas e pouco apoio popular.

Argumentos da proposta e riscos apontados

De autoria de Nélson Manuel de Oliveira Ferreira, a petição alerta para "situações inaceitáveis" nas estradas portuguesas, denunciando casos de condutores idosos na contra-mão, acidentes evitáveis e vidas colocadas em risco. O documento argumenta que o envelhecimento comprometeria fundamentalmente a habilidade de dirigir, citando declínio cognitivo, visual e motor como fatores inevitáveis a partir dos 75 anos.

"Tempo de reação reduzido, perda de percepção e falhas de julgamento tornam idosos atrás do volante perigosamente imprevisíveis", afirma o texto da petição. O autor critica ainda o atual modelo de avaliação médica, considerando que os pareceres são "pontuais" e não preveem o estado do condutor em dias ou semanas seguintes.

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Baixa adesão e debate sobre discriminação

Apesar do barulho gerado na opinião pública, a proposta mostrou pouca capacidade de mobilização, com apenas 274 assinaturas coletadas até o momento. Especialistas em geriatria e direitos humanos alertam para o risco de discriminação etária, defendendo que a aptidão para conduzir deve ser avaliada individualmente, sem estabelecer limites arbitrários baseados apenas na idade.

"Quantas mais pessoas terão de morrer até se agir?", questiona o autor da petição, que pede a expiração automática da validade da carteira de motorista aos 75 anos. Paralelamente, o documento menciona a necessidade de criação de alternativas de mobilidade para a população idosa, aparentemente para minimizar o impacto da polêmica medida.

Contexto demográfico português

Portugal enfrenta um acelerado envelhecimento populacional, sendo um dos países com a população mais idosa da União Europeia. Segundo dados oficiais de 2025, cidadãos com 65 anos ou mais representam 24,3% dos habitantes, uma proporção que deve alcançar quase 40% em 2100.

Atualmente, o país registra cerca de 39 idosos para cada 100 jovens em idade ativa, refletindo uma significativa pressão sobre o mercado de trabalho e os sistemas de proteção social. Este contexto demográfico complexo torna o debate sobre mobilidade e direitos dos idosos particularmente relevante para a sociedade portuguesa.

Enquanto a petição continua sua jornada por assinaturas, o debate sobre segurança no trânsito versus direitos individuais permanece acalorado, com especialistas defendendo soluções balanceadas que considerem tanto a segurança pública quanto a dignidade e autonomia da população idosa.

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