PM aposenta tenente-coronel acusado de matar soldado e assediar subordinada
PM aposenta tenente-coronel acusado de feminicídio e assédio

A Polícia Militar de São Paulo aposentou o tenente-coronel Geraldo Neto, de 53 anos, preso sob a acusação de assassinar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. Além do feminicídio, novas evidências apontam que o oficial assediou sexualmente outra subordinada durante oito meses, entre junho de 2025 e março de 2026, mesmo após a morte de Gisele.

Assédio documentado em mensagens

Prints de conversas de WhatsApp obtidos pela defesa da soldado Rariane Generoso, de 32 anos, mostram que Neto a perseguiu com investidas sexuais explícitas. Em uma mensagem de 11 de setembro de 2025, ele pergunta: “Quer namorar comigo?”. Em outra, escreve: “Não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso nessa sua boca deliciosa.” O oficial ainda usava o nome de Deus para justificar a obsessão, dizendo que rezava por ela e que queria se casar e ter um filho.

A soldado Rariane, que tinha a mesma patente e idade da vítima fatal, respondeu sempre com recusas claras: “Não vamos ter nada”, “Vamos manter o profissionalismo, por favor” e “Me deixe em paz”. Ela também relatou que o assédio a deixou doente, pois colegas passaram a chamá-la de amante do oficial.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Abordagens fora do ambiente de trabalho

As investidas não se limitaram ao virtual. Câmeras de segurança flagraram Neto no prédio onde Rariane mora, levando um buquê de flores. Ele também teria ido ao local durante o expediente, fardado e usando viatura oficial, o que é proibido pela corporação. Em outra ocasião, ele sugeriu que a soldado assumisse uma função administrativa próxima a ele e, diante da recusa, ameaçou transferi-la.

Contato após o crime

Mesmo duas semanas após a morte de Gisele, em 18 de fevereiro de 2026, Neto continuou a procurar Rariane. Ele enviou mensagens tentando se explicar, afirmando que não havia cometido o assassinato. A soldado ignorou o contato. A denúncia de assédio sexual e moral, ameaça e coação foi entregue à Corregedoria da PM no mês passado.

Investigação por feminicídio

Gisele Santana foi morta a tiros dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. O Ministério Público aponta que Neto não aceitava a separação e teria alterado a cena do crime para simular um suicídio. Ele responde como réu por feminicídio e fraude processual. A defesa sustenta que a vítima cometeu suicídio.

Além do processo criminal, Neto enfrenta um procedimento administrativo na PM, que pode resultar na perda do cargo. A Corregedoria também apura se ele usou sua posição hierárquica para intimidar os policiais que atenderam a ocorrência da morte de Gisele.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar