Terceira etapa cirúrgica de separação de gêmeas siamesas é concluída com sucesso
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP) realizou neste sábado (28) a terceira cirurgia de separação das gêmeas siamesas Heloísa e Helena, que nasceram unidas pela cabeça. O procedimento, que começou às 7h da manhã, foi finalizado por volta das 15h45, após sete horas de trabalho intensivo da equipe médica.
As meninas, de apenas um ano de idade, já estão acordadas e foram encaminhadas para a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, onde receberão cuidados especializados durante a recuperação. A cirurgia contou com a participação de mais de 50 profissionais de saúde e de apoio, demonstrando a complexidade e o caráter multidisciplinar da intervenção.
Processo delicado e etapas planejadas
Segundo o professor Jayme Farina Junior, que comanda as equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital, este é apenas o terceiro de cinco procedimentos necessários para a separação completa das gêmeas. A expectativa é que Heloísa e Helena estejam totalmente separadas até o final deste ano, marcando o fim de uma jornada que começou com exames e planejamento em 2024.
"Tem que ser uma separação muito delicada, não pode ser rápida, porque provoca muito sangramento, é uma cirurgia bem delicada e o cérebro precisa ir se adaptando", explicou Farina Junior sobre a natureza cuidadosa do processo.
As quatro primeiras cirurgias focam na separação gradual dos tecidos, vasos sanguíneos e estruturas que unem os crânios e os cérebros das gêmeas. A quarta etapa, já programada para março, envolverá a inserção de enxertos ósseos e expansores de pele, preparando o terreno para a cirurgia plástica final que fechará os tecidos que revestem as cabeças.
Histórico familiar e emocional
O pai das gêmeas, Amarildo Batista da Silva, acompanha cada etapa do processo desde a primeira cirurgia realizada em agosto do ano passado. Natural de São José dos Campos (SP), ele expressou sua ansiedade pelo momento em que as filhas poderão finalmente se ver face a face.
"Não vejo a hora. É sempre com aquele medo [da próxima cirurgia], mas medo faz parte da vida. Elas precisam muito dessa separação para poder ver o rostinho uma da outra, poder brincar", compartilhou o pai emocionado.
A segunda cirurgia das meninas ocorreu em novembro de 2025, durando aproximadamente dez horas, com alta hospitalar após 19 dias de recuperação. Cada etapa representa um marco no caminho rumo à independência física das irmãs.
Referência nacional em procedimentos complexos
Este é o terceiro caso de separação de gêmeos siameses conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, que se consolidou como referência nacional neste tipo de intervenção cirúrgica altamente especializada. O histórico positivo inclui:
- 2018: Separação das gêmeas Maria Ysabelle e Maria Ysadora, do Ceará, após dois anos de acompanhamento
- 2023: Separação definitiva das gêmeas Alana e Mariah, naturais de Ribeirão Preto mas residentes em Piquerobi (SP), em procedimento que durou 25 horas
- 2024-2026: Processo atual das gêmeas Heloísa e Helena, com previsão de conclusão ainda em 2026
A experiência acumulada pela instituição em casos anteriores tem sido fundamental para o planejamento e execução das cirurgias atuais, garantindo maior segurança e eficácia nos procedimentos.
O sucesso desta terceira etapa reforça a excelência do centro médico e traz esperança para a família e toda a equipe envolvida no cuidado das pequenas Heloísa e Helena. A comunidade médica acompanha com atenção cada desenvolvimento, enquanto a sociedade torce pela recuperação completa das gêmeas e pelo sucesso das etapas restantes deste delicado processo de separação.
