Estudo analisa impacto muscular de canetas para obesidade: Mounjaro versus Wegovy
Um estudo recente, ainda em fase de pré-publicação, trouxe à tona um efeito colateral significativo das canetas utilizadas no tratamento da obesidade: a perda de massa muscular. A pesquisa, conduzida por um grupo americano, avaliou dados de mais de 670 mil pacientes que iniciaram tratamento com medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Wegovy (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida).
Metodologia e resultados da pesquisa
Os cientistas acompanharam os pacientes por até 12 meses, com cerca de 8 mil indivíduos submetidos a avaliações detalhadas de composição corporal antes e depois do início do tratamento. "Na prática, é um estudo de vida real, muito próximo do que vemos no consultório", comenta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto.
Os principais achados incluem:
- Pacientes que usaram Mounjaro apresentaram maior perda de peso total.
- Contudo, essa perda foi acompanhada por uma redução mais significativa da massa muscular em comparação com os usuários de Wegovy.
- A perda muscular tende a aumentar com doses mais altas e períodos prolongados de uso das medicações.
Implicações clínicas e preocupações
O endocrinologista Couri ressalta que, embora a maior parte do peso perdido seja gordura, a diminuição da musculatura não é um mero número em exames. "Ela pode se manifestar na prática com mais cansaço, menor força e redução da capacidade física", explica o também coordenador do Endodebate.
No estudo, pacientes com maior perda de massa magra demonstraram:
- Menor tolerância ao esforço físico.
- Maior exposição à fadiga no dia a dia.
- Impacto na experiência geral do tratamento, muitas vezes negligenciado.
"Uma parcela relevante dos pacientes apresenta perda de massa magra acima do desejável — mesmo com excelente resposta na balança", pontua Couri, destacando que o cenário ideal de perder gordura preservando músculo ainda é exceção.
Recomendações para minimizar o impacto muscular
Apesar dos resultados, os pesquisadores enfatizam que os medicamentos continuam sendo seguros e eficazes, inclusive na redução de riscos cardiovasculares. No entanto, reforçam a necessidade de:
- Individualização do tratamento com acompanhamento médico próximo.
- Monitoramento regular da perda muscular durante o uso das canetas.
- Engajamento em exercícios de força, como musculação, para preservar a massa magra.
- Alimentação equilibrada com bom aporte proteico para sustentar a musculatura.
"Os dados não tiram o valor desses medicamentos, que são seguros e eficazes", analisa Couri. "No entanto, reforçam a necessidade da individualização do tratamento e do acompanhamento médico próximo", conclui, lembrando que a terapia não é neutra em relação à composição corporal e requer atenção integral à saúde do paciente.



