Um evento realizado no escritório do Google em São Paulo trouxe à tona discussões importantes sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) no desenvolvimento de software. Baseado na pesquisa DORA, que analisa o trabalho de equipes de tecnologia, o encontro revelou que a IA está longe de ser uma solução mágica. Em vez disso, ela atua como um amplificador de processos e falhas, exigindo uma nova postura dos profissionais.
IA como amplificador, não como solução
Um dos principais insights da pesquisa DORA é que a IA funciona como um microfone potente. Se a empresa possui processos organizados e bons profissionais, a IA potencializa os resultados. No entanto, se a organização é desestruturada, a IA apenas torna os problemas mais evidentes. Ou seja, a tecnologia não conserta uma empresa ruim; ela expõe as falhas de forma mais rápida e clara.
O custo da verificação: revisar é o novo normal
Antes da IA, programadores passavam a maior parte do tempo escrevendo código. Agora, com a IA gerando código em segundos, o tempo de revisão aumentou drasticamente. A chamada “taxa de verificação” faz com que os profissionais gastem mais de 50% do tempo conferindo o que a IA produziu, contra apenas 10% anteriormente. Isso ocorre porque a IA pode “alucinar”, ou seja, criar informações que parecem corretas, mas são erradas.
Uma dica valiosa compartilhada no evento: nunca peça para a mesma IA revisar o que ela própria escreveu, pois ela tende a achar que está correta. O ideal é copiar o resultado e pedir para outra IA ou outro chat criticar e encontrar erros. Olhos novos enxergam melhor.
A curva em J: mergulho antes do salto
Muitas empresas esperam que a produtividade aumente imediatamente após a adoção da IA. Na prática, ocorre o oposto: a produtividade cai no início. Esse fenômeno é conhecido como curva em J. No mergulho inicial, todos perdem tempo aprendendo a usar a ferramenta, ajustando a segurança e corrigindo os erros da IA. Somente após esse período de adaptação é que a produtividade realmente começa a subir.
O novo papel do profissional
A IA está transformando os profissionais em “gerentes” ou “tutores” da máquina. O valor agora não está em quem digita mais rápido, mas em quem sabe fazer as perguntas certas e tem conhecimento para validar se a IA não está cometendo erros graves. Mais do que nunca, a capacidade de revisão e crítica se torna essencial.
Este artigo foi baseado nos relatórios DORA 2025 e 2026 sobre o impacto da IA no desenvolvimento de software.



