O governo da China está apostando em tecnologias de ponta, incluindo robôs e interfaces cérebro-computador, para enfrentar um dos maiores desafios sociais do país: o cuidado de uma população idosa que já supera os 300 milhões de pessoas. A medida visa reformar os serviços de assistência e impulsionar a chamada "economia prateada".
Diretrizes oficiais incentivam inovação no cuidado
Na última terça-feira, um conjunto de oito órgãos centrais, incluindo o Ministério de Assuntos Civis, emitiu um documento oficial com novas diretrizes. O objetivo é acelerar a integração de soluções tecnológicas avançadas no sistema de cuidados para a terceira idade.
Entre as tecnologias incentivadas estão interfaces cérebro-computador não invasivas, robôs exoesqueletos e trajes musculares inteligentes. Essas ferramentas são projetadas para auxiliar idosos que enfrentam a perda gradual de funções físicas, promovendo reabilitação e maior independência.
Casos de sucesso e integração de setores
Os resultados práticos dessa abordagem já começam a aparecer. Um exemplo citado ocorreu na província de Zhejiang, no leste da China. Um homem de cerca de 60 anos, diagnosticado com hemiplegia do lado esquerdo após uma hemorragia cerebral, conseguiu voltar a segurar um copo com a mão afetada. A conquista foi possível após sessões de treinamento hospitalar utilizando uma interface cérebro-computador.
As diretrizes também focam no fortalecimento da indústria de robótica especializada e na integração entre robôs assistenciais, reabilitação médica e tecnologias domésticas inteligentes. A proposta é criar um ecossistema que atenda desde a assistência em atividades diárias e o apoio emocional até serviços de cuidado social mais amplos.
Um imperativo demográfico: a população envelhece rapidamente
A nova política não é um mero experimento, mas uma resposta urgente a uma realidade demográfica. Até o final de 2024, a China já contabilizava 310 milhões de cidadãos com 60 anos ou mais. As projeções são ainda mais impactantes: espera-se que esse número ultrapasse a marca de 400 milhões até 2035.
Diante desse cenário, a inovação tecnológica se torna um pilar estratégico para garantir bem-estar e qualidade de vida para a população idosa, ao mesmo tempo em que fomenta o crescimento de um novo setor econômico. A "economia prateada" movimentada por esses serviços e produtos tende a expandir-se significativamente nos próximos anos, impulsionada por essa demanda social sem precedentes.