Estudo indica que canetas antiobesidade podem elevar risco de disfunção erétil em 26%
Canetas antiobesidade podem aumentar risco de disfunção erétil

Canetas antiobesidade podem aumentar risco de disfunção erétil, sugere estudo

Uma análise abrangente com mais de 10 mil pacientes indica um aumento de 26% no risco de disfunção erétil entre usuários de canetas para tratamento da obesidade e diabetes tipo 2. No entanto, os pesquisadores envolvidos no estudo ressaltam que essa associação ainda não é conclusiva e requer investigações mais aprofundadas.

Detalhes da pesquisa publicada na The Lancet

O estudo, publicado na renomada revista científica The Lancet, analisou prontuários médicos de mais de 10 mil adultos diagnosticados com diabetes tipo 2, acompanhados entre os anos de 2019 e 2024. Os pesquisadores compararam dois grupos distintos: pacientes que iniciaram tratamento com agonistas do GLP-1, como semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida, e aqueles que utilizaram outra classe de antidiabéticos, os inibidores de DPP-4, incluindo a sitagliptina.

Resultados encontrados pelos pesquisadores

Os resultados apontam que os pacientes que usaram as chamadas “canetas” apresentaram um risco 26% maior de desenvolver disfunção erétil em comparação com os que utilizaram inibidores de DPP-4. Na prática, isso se traduz em 35,2 casos de disfunção erétil a cada mil usuários de GLP-1, enquanto entre os usuários de DPP-4 foram registrados 28 casos por mil. Os próprios autores do estudo classificam esse aumento como modesto, mas significativo para análise.

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Pontos de cautela e limitações do estudo

Apesar do achado, os pesquisadores alertam que os resultados ainda não permitem afirmar uma relação de causa e efeito direta. Isso ocorre porque o estudo é baseado em dados de prontuários médicos do mundo real, que podem sofrer influência de fatores difíceis de controlar, como diferenças individuais entre os pacientes ou vieses na seleção dos casos analisados.

Por esse motivo, os resultados devem ser vistos como geradores de hipóteses, e não como conclusivos. Além disso, é importante destacar que a disfunção erétil afeta quase 50% das pessoas com diabetes tipo 2 em algum momento da vida, assim como a obesidade. Portanto, não é simples determinar se os resultados estão ligados ao uso do medicamento ou à própria condição de saúde subjacente.

Contradições em estudos anteriores

Outro ponto relevante é que os estudos existentes até agora não apresentaram resultados uniformes. Por um lado, algumas pesquisas clínicas sugerem até um possível efeito protetor. É o caso do estudo REWIND, que indicou uma leve redução no risco de disfunção erétil entre usuários de dulaglutida ao longo de mais de cinco anos.

Por outro lado, análises com dados do mundo real, como estudos com a base TriNetX, já apontaram aumento no risco de disfunção erétil e maior uso de medicamentos como o sildenafil entre homens que utilizam semaglutida. Diante dessas contradições, a principal conclusão, por enquanto, é que essa relação precisa ser melhor investigada.

Necessidade de futuras investigações

Os autores do estudo enfatizam a importância de futuros ensaios clínicos randomizados, com avaliação padronizada da função erétil e acompanhamento ao longo do tempo, para confirmar esses achados e entender os mecanismos envolvidos. “Futuros ensaios clínicos randomizados, com avaliação padronizada da função erétil e acompanhamento ao longo do tempo, são necessários para confirmar esses achados e entender os mecanismos envolvidos”, afirmam os pesquisadores.

Enquanto isso, pacientes e profissionais de saúde devem considerar esses dados com cautela, equilibrando os benefícios comprovados das canetas antiobesidade no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade com os potenciais riscos identificados em estudos preliminares.

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