Tragédia marca aniversário de casal médico em Bambuí
A morte prematura do médico cirurgião Matheus Vieira Braga Mattos, aos apenas 31 anos, ocorreu no dia 1º de abril, data em que ele e a esposa Nathalia Marconi Campos completavam seis anos de relacionamento. O profissional de saúde faleceu após passar mal em sua residência, localizada na cidade de Bambuí, na região Centro-Oeste do estado de Minas Gerais.
Amor eterno e momentos dramáticos
Em entrevista exclusiva, Nathalia, que também é médica, descreveu com emoção o amor intenso que compartilhavam e os acontecimentos trágicos que precederam a morte do marido. "Nosso amor era de outras vidas e será eterno. Matheus viverá para sempre dentro do meu coração", afirmou a esposa, visivelmente abalada pela perda.
Inicialmente, circulou a informação de que o cirurgião teria sofrido um mal súbito. Contudo, Nathalia esclareceu que o atestado de óbito, divulgado na segunda-feira, 6 de abril, apontou como causa oficial da morte uma combinação de fatores: gastroenterite, desidratação severa e broncoaspiração das vias aéreas, com secreção sanguinolenta que levou ao sufocamento.
Histórico médico e resistência ao tratamento
Segundo relatos da esposa, Matheus foi diagnosticado ainda na infância com taquicardia supraventricular, uma condição cardíaca que provoca alterações no ritmo do coração e episódios de aceleração cardíaca. "Ele tinha taquicardia supraventricular desde criança, que trazia sintomas recorrentes. Realizou uma cirurgia de ablação elétrica aos 18 anos, mas, nos últimos quatro anos, a arritmia voltou a se manifestar", explicou Nathalia.
A ablação cardíaca é um procedimento cirúrgico específico que tem como objetivo principal normalizar o ritmo cardíaco do paciente. Nos dias que antecederam o falecimento, o médico já apresentava sinais claros de debilitação física, incluindo:
- Febre persistente
- Episódios frequentes de vômito
- Diarreia intensa
- Dores generalizadas pelo corpo
Apesar do quadro clínico preocupante, Matheus resistiu a procurar atendimento médico especializado. Na terça-feira, 31 de março, uma enfermeira que percebeu seu estado debilitado ofereceu ajuda imediata. O cirurgião recebeu hidratação intravenosa, pois estava visivelmente fraco e desidratado.
Noite especial seguida de tragédia
Mesmo com as complicações de saúde, o casal viveu uma noite especial juntos. "Após a hidratação, passamos uma noite incrível e memorável. No dia seguinte, 1º de abril, era nosso aniversário de seis anos e estávamos planejando nosso casamento oficial, embora já nos considerássemos casados há tempos. Ele estava me contando detalhes sobre a aliança que estava escolhendo com tanto cuidado", relembrou Nathalia com voz embargada.
A tragédia ocorreu na manhã seguinte. De acordo com o relato da esposa, ela acordou por volta das 7h30 e encontrou o marido já em estado gravíssimo, após sofrer broncoaspiração. "Ele estava com vômito de aspecto sanguinolento. Imediatamente iniciei a ressuscitação cardiopulmonar, acionei o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e continuei as manobras de reanimação. Eu mesma realizei a intubação", descreveu a médica.
Matheus foi transportado às pressas para o Hospital Nossa Senhora do Brasil, mas chegou ao pronto-socorro já em parada cardiorrespiratória. Equipes médicas especializadas tentaram reanimá-lo por aproximadamente duas horas, utilizando todos os recursos disponíveis, mas infelizmente ele não resistiu.
Coincidência dolorosa e legado profissional
A coincidência da data marcou profundamente a dor da perda. "Nossa trajetória no mundo terrestre começou em 1º de abril e terminou seis anos depois, exatamente na mesma data", refletiu Nathalia.
Ao descrever a personalidade do marido, a esposa resume em uma palavra: luz. "Ele iluminava todos os ambientes e contagiava as pessoas com sua energia positiva. Era brincalhão, extremamente amoroso, respeitoso e leal. Era impossível não rir ao lado dele".
Segundo Nathalia, Matheus era um profissional amplamente admirado, reconhecido por sua inteligência aguçada e dedicação exemplar. Atuava com precisão cirúrgica tanto na Unidade de Terapia Intensiva quanto na cirurgia geral, tendo salvado inúmeras vidas ao longo de sua carreira, inclusive durante os momentos mais críticos da pandemia de Covid-19.
Trajetória de superação e sonhos interrompidos
Com uma trajetória marcada por desafios e superações, o cirurgião construiu sua carreira com muito esforço e determinação. Passou por diversas cidades brasileiras:
- Rio Verde, em Goiás, onde concluiu sua formação acadêmica
- Uberaba, onde realizou sua residência médica
- Goiânia, onde atuou profissionalmente
Em novembro de 2025, mudou-se para Bambuí especificamente para ficar mais próximo da família da esposa. "Em todos os lugares por onde passamos, ele brilhava intensamente. Exercia a medicina de uma maneira que sempre me encantava", afirmou Nathalia.
O casal tinha planos concretos para o futuro imediato. Matheus havia recentemente concluído sua residência em cirurgia geral e preparava-se para uma nova especialização em urologia. Sua rotina era intensa e dedicada: trabalho durante o dia e estudos aprofundados até altas horas da noite.
"Ele estava completamente focado em estudar para a prova de residência no final deste ano. Nosso plano conjunto era terminar os estudos e, dentro de três anos, começar nossa própria família. Era nosso sonho mais precioso ter filhos e já tínhamos até escolhido o nome. Desde o início decidimos por Alice. Ele sempre dizia que seria a menina mais linda do mundo inteiro", relembrou a esposa com nostalgia.
Legado de amor e luz
Mais do que a dor da perda, ainda sentida de forma intensa e profunda, Nathalia destaca o legado significativo deixado pelo marido. "O que me traz algum conforto é saber que o Matheus cumpriu plenamente seu papel como ser humano e como médico dedicado. Ele vive permanentemente no coração de todas as pessoas que salvou ao longo de sua carreira", compartilhou.
Em meio ao luto, ela tenta encontrar algum sentido na tragédia. "Preciso trabalhar a aceitação para entender que cada pessoa tem seu momento determinado. Mas desejava profundamente que ele tivesse mais tempo para espalhar ainda mais luz e amor pelo mundo".
"Peço a todos os nossos amigos, a toda nossa família, que nunca se esqueçam do Matheus sorrindo. Ele tinha a pele sempre quente, e eu costumava dizer que ele era o próprio sol. Iluminava e aquecia genuinamente todos ao seu redor. Meu amor por ele é incondicional e verdadeiramente eterno. Ele nunca será esquecido", finalizou Nathalia, encerrando o emocionante relato.



