O Big Brother Brasil 26 foi palco de um episódio de saúde grave na manhã de terça-feira, 14 de janeiro de 2026. O ator Henri Castelli sofreu uma convulsão durante a prova de resistência do líder, levantando preocupação e um importante debate médico. O participante foi atendido pela equipe do reality e, segundo a TV Globo, encontra-se consciente após o ocorrido.
O que causou a convulsão? Esclarecimento médico
Em entrevista à coluna GENTE, o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola analisou o caso. Segundo o especialista, provas de longa duração e alta intensidade, como as do BBB, podem desencadear crises sintomáticas agudas devido a uma combinação de fatores metabólicos e ambientais.
"Os gatilhos mais frequentes são desidratação, hiponatremia associada ao exercício – que é a queda do nível de sódio no sangue pelo suor ou ingestão excessiva de água –, hipoglicemia, hipertermia severa e heat stroke (insolação)", explicou Espíndola. Essas condições geram uma disfunção cerebral aguda, resultando na convulsão.
O médico foi enfático ao diferenciar esse tipo de episódio da epilepsia. Convulsões ligadas ao esforço físico tendem a ocorrer durante ou logo após a atividade extrema e costumam vir acompanhadas de sinais como desidratação, cãibras, vômitos e confusão mental. Já as crises epilépticas podem surgir em repouso e têm maior tendência a se repetir.
Sinais de alerta e condutas: o que fazer e o que evitar
Antes de uma convulsão em situações de exaustão, o corpo pode emitir sinais. O neurocirurgião lista: tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras musculares, irritabilidade, confusão, visão turva e sede intensa. Esses indícios estão geralmente ligados aos distúrbios metabólicos mencionados.
Durante a crise de Castelli, outros participantes alertaram a produção e chegaram a sugerir segurar a língua do ator – uma ação perigosa e desaconselhada. "Não se deve tentar imobilizar a pessoa, pois aumenta o risco de fraturas, nem colocar objetos ou dedos na boca. Isso não impede a mordedura da língua e pode causar lesões, aspiração ou sufocamento", alerta o médico. Também é proibido oferecer água, alimentos ou medicamentos no momento da convulsão.
A conduta correta, segundo o especialista, envolve:
- Proteger a cabeça da pessoa para evitar traumas;
- Afastar objetos próximos que possam causar ferimentos;
- Ao final da crise, colocar o indivíduo de lado para manter as vias aéreas desobstruídas.
O serviço de emergência deve ser acionado imediatamente se a convulsão durar mais de cinco minutos, se houver repetição das crises sem recuperação, trauma associado ou qualquer dúvida sobre o diagnóstico.
Consequências e possibilidade de retorno ao jogo
A prova de resistência foi interrompida após o incidente, e Henri Castelli permanece sob observação médica dentro do programa. A grande questão agora é sobre a possibilidade de seu retorno à competição.
De acordo com Victor Hugo Espíndola, a decisão depende totalmente da origem da convulsão. "Em crises provocadas por hiponatremia, hipoglicemia ou hipertermia, é indispensável a correção completa do distúrbio e uma avaliação médica criteriosa para estimar o risco de recorrência", afirmou.
No caso de haver suspeita de epilepsia não provocada, o retorno só deve ser considerado após uma investigação neurológica completa, que pode incluir exames de imagem. "Não existe um prazo universal seguro. A decisão precisa ser individualizada, de acordo com o contexto clínico do participante", concluiu o neurocirurgião.
O episódio serve como um alerta sobre os limites físicos impostos por competições extremas e a importância do monitoramento médico constante, especialmente em reality shows que submetem os participantes a situações de estresse intenso.