Laís Souza e polilaminina: desvendando a cena que gerou interpretações nas redes sociais
Nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, a ex-ginasta Laís Souza subiu ao palco do Brazilian Engineering Awards 2026, organizado pela VTEX, para uma homenagem especial. O evento contou com a presença de Mariano Gomide, fundador da Vtex, e teve como destaque a entrega de um prêmio à pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O momento que viralizou e as interpretações equivocadas
Laís Souza, diagnosticada com tetraplegia desde 2014 após um grave acidente de esqui às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, apareceu "de pé" no palco durante a cerimônia. A cena rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, onde internautas começaram a associar o gesto ao suposto uso da polilaminina, substância desenvolvida por Tatiana Sampaio que vem sendo investigada como possível estratégia para recuperação de movimentos em pessoas com lesão medular.
Muitos especularam que a homenagem à pesquisadora seria uma forma de agradecimento pelos resultados obtidos com a substância. No entanto, essa interpretação estava completamente equivocada e não reflete a realidade dos fatos.
O esclarecimento oficial da assessoria de Laís Souza
Em nota enviada à Veja Saúde, a assessoria da ex-ginasta foi categórica ao desmentir qualquer relação entre a cena e a polilaminina: "A Laís nunca fez uso da polilaminina". A equipe explicou que, na verdade, Laís estava utilizando uma órtese, dispositivo externo projetado para dar suporte, alinhar e auxiliar movimentos de membros e articulações após lesões.
Embora Laís não tenha utilizado a substância experimental, sua assessoria reconheceu o valor da pesquisa: "O experimento, no entanto, acendeu uma grande esperança de que, no futuro, novos medicamentos possam ser desenvolvidos a partir desse composto".
Os critérios atuais das pesquisas com polilaminina
Os estudos com a polilaminina seguem restritos a um grupo bastante específico de pacientes. Atualmente, as pesquisas se concentram em casos de lesões medulares agudas, ou seja, traumas recentes com até 72 horas de evolução. Isso significa que quadros crônicos – aqueles com mais de três meses de desenvolvimento, como o caso de Laís Souza – ficam fora dos critérios atuais das investigações científicas.
A substância continua sendo objeto de intensa pesquisa e discussão na comunidade científica brasileira, com expectativas de que possa representar um avanço significativo no tratamento de lesões medulares no futuro.
O contexto do evento e a importância da homenagem
O Brazilian Engineering Awards 2026 teve como objetivo reconhecer contribuições significativas para a engenharia e ciência no Brasil. A homenagem a Tatiana Sampaio destacou seu trabalho pioneiro no desenvolvimento da polilaminina, uma molécula que tem despertado interesse internacional por seu potencial terapêutico.
A participação de Laís Souza no evento reforçou a importância do diálogo entre a ciência e a sociedade, especialmente quando se trata de condições de saúde que afetam a mobilidade e a qualidade de vida de milhares de brasileiros.



