Prevenção ao abuso infantil: educação sexual e controle digital são fundamentais
A juíza Titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, Vanessa Cavalieri, alerta que a educação sexual desde cedo e o monitoramento de celulares são medidas essenciais para prevenir o abuso sexual contra crianças e adolescentes. Em entrevista exclusiva, ela destaca que as consequências do abuso prolongado podem ser graves, como depressão e transtornos psiquiátricos.
Importância da educação sexual infantil
Pesquisas apontam que meninas de 12 a 17 anos são as principais vítimas de estupro. Cavalieri defende que a educação sexual deve começar cedo, explicando às crianças quais partes do corpo não podem ser tocadas. “O que mais escuto das crianças é: ‘não contei para minha mãe porque achei que ela ia me bater’”, afirma. Crianças orientadas denunciam mais rapidamente.
Controle digital e redes sociais
A juíza recomenda que os pais utilizem aplicativos de monitoramento e controle parental nos celulares dos filhos. Ela sugere que menores de 16 anos não tenham redes sociais, devido à falta de maturidade para interagir com estranhos. O TikTok não é recomendado para menores de 14 anos, Instagram para menores de 16, e X e Discord apenas para maiores de 18. Essas plataformas podem conter conteúdo pornográfico ou violento.
Sinais de alerta em vítimas de abuso
A psicóloga Mery Cândido de Oliveira lista sinais como tristeza intensa, isolamento, agressividade, alterações no sono, enurese noturna, queda no desempenho escolar, desenhos sexualizados, automutilação e ideação suicida. Qualquer mudança comportamental pode ser um indicativo.
ECA Digital e novas obrigações
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) entrou em vigor em março, exigindo verificação de idade obrigatória, vínculo de contas de menores com responsáveis, ferramentas de controle parental e proibição de conteúdos nocivos. A ANPD será responsável pela fiscalização e aplicação de multas.
Consequências do abuso prolongado
O abuso sexual prolongado pode causar estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, transtornos alimentares e de personalidade. No Brasil, 86% dos autores são conhecidos das vítimas, e 67% dos casos ocorrem na residência da vítima. Meninas de 12 a 17 anos são as mais afetadas, mas meninos entre 3 e 9 anos também são vítimas em 14% dos casos.



