Gaúcha supera infarto e trilha sozinha o Everest em jornada de superação e autodescoberta
Gaúcha supera infarto e trilha sozinha o Everest

Gaúcha transforma quase-morte em aventura épica no Everest após infarto grave

A gaúcha Marina Gabriela Brum Rodrigues, de 44 anos, viveu uma experiência de superação que redefine os limites da resiliência humana. Após um infarto agudo do miocárdio que paralisou 90% de seu coração em 2023, ela decidiu dar uma guinada radical em sua vida, enfrentando sozinha a trilha até o Campo Base do Everest, a montanha mais alta do mundo, situada a 5.364 metros de altitude.

Uma lição de vida após a crise cardíaca

Marina, conhecida como Gabi, sofreu o infarto como resultado de estresse e sobrecarga no trabalho como bancária, um emprego que lhe garantia estabilidade financeira. O episódio a levou a colocar três stents no coração e receber um diagnóstico de cardiopatia. "Com tudo que aconteceu comigo, de quase ter morrido, eu tenho uma certeza na vida: todos somos passagens. Todos vamos morrer, só que poucos vão viver", reflete Gabi. Ela enfatiza que a experiência a ensinou a diferença entre viver e sobreviver, motivando-a a mudar seu estilo de vida.

A decisão ousada de trilhar o Everest sozinha

Deixando para trás a carreira bancária, Gabi buscou no turismo de aventura uma nova paixão. Sem falar inglês ou o idioma local, e com recursos limitados—apoiada pelo seguro-desemprego—ela decidiu enfrentar a trilha do Campo Base do Everest (EBC) sozinha. "Falei: 'vou chutar o pau da barraca e vou para o Everest sozinha'. Estudei bastante a trilha e desbravei sozinha", conta. Antes disso, ela participou de uma expedição só para mulheres no Himlung Himal, no Nepal, uma preparação para o desafio maior.

Os desafios da jornada de 15 dias e 140 km

Gabi percorreu 140 km em uma caminhada de 15 dias, escolhendo o trajeto mais longo para homenagear a equipe histórica de Edmund Hillary e Tenzing Norgay. A trilha foi repleta de obstáculos: ela sofreu uma queda que lesionou o joelho, enfrentou três dias de chuva, dores constantes e temperaturas que chegaram a -25°C. "Todo dia foi duro. Nenhum dia foi fácil", relata. Apesar das dificuldades, a jornada se tornou um processo de introspecção e conexão consigo mesma.

O estado de nirvana e a transformação pessoal

Ao chegar ao Campo Base do Everest, Gabi experimentou um profundo estado de paz, que descreve como um "estado de nirvana". "Eu comecei a conversar com a montanha. Parece que eu expandi dentro do meu corpo, que criei uma bolha fora de mim e não escutei mais nada", explica. Após descer, ela refletiu sobre seus medos e agradeceu pela oportunidade de inspirar outras pessoas. Amigas em Katmandu ajudaram-na a compreender a experiência espiritual.

Inspirando mulheres e planejando o futuro

Gabi agora quer compartilhar sua história para motivar outras mulheres. "Quero que outras mulheres possam trabalhar o eu interior como eu pude. Eu não tinha autoestima e hoje sou uma mulher totalmente diferente", afirma. Ela investiu em um terreno de meio hectare em Itati, no Rio Grande do Sul, próximo às cachoeiras da Chapada dos Vagalumes, onde planeja abrir um camping e um abrigo de montanhismo para receber turistas aventureiros. "O Everest se tornou um sonho devido à oportunidade do convite, mas o camping é um sonho de muitos e muitos anos atrás", conclui.