Vítima de etarismo em Goiânia relata crises de choro e humilhação no trabalho
Vítima de etarismo relata crises de choro e humilhação no trabalho

Vítima de etarismo em Goiânia relata crises de choro e humilhação no ambiente corporativo

A assistente financeira Clebya Aparecida de Oliveira, de 43 anos, enfrentou uma das experiências mais difíceis de sua vida profissional em um escritório de Goiânia. Entre abril e outubro de 2024, ela sofreu discriminação por idade, sendo rotineiramente chamada de "véia" por colegas e chefes, o que desencadeou um profundo abalo emocional e psicológico.

O início da discriminação e a escalada da humilhação

Logo após ser contratada, uma colega começou a fazer perguntas invasivas sobre sua vida pessoal. Quando Clebya revelou ter 41 anos na época, a resposta foi imediata: "você é véia". A partir desse momento, o apelido pejorativo se tornou constante durante as oito horas diárias de trabalho, inclusive em mensagens no grupo de WhatsApp do escritório, onde a palavra "véia" era destacada propositalmente.

A gerente reforçava esse comportamento discriminatório, comentando publicamente que sempre orientava o dono da empresa a não contratar pessoas mais velhas - enquanto olhava diretamente para Clebya. A situação piorou quando a assistente tropeçou na escada do prédio e machucou o dedo. A colega aproveitou o incidente para comentar: "Por isso que não se deve contratar gente véia".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Exclusão social e impacto na saúde mental

Além dos comentários ofensivos, Clebya foi sistematicamente excluída pelas colegas de trabalho. Elas combinavam almoços e saídas sem convidá-la, forçando-a a se isolar ainda mais. O ambiente hostil desencadeou crises de choro frequentes, perda de apetite, distúrbios do sono e problemas de memória.

"Tinha crises de choro, não comia e não dormia direito. Procurei um psiquiatra para me ajudar a lidar com esse trem todo", relata a assistente financeira. Mesmo mantendo uma aparência profissional impecável - usando salto, maquiada e com cabelo escovado - a chefe criticava sua aparência e chegava a mandar que ela passasse mais batom.

Trajetória profissional e busca por justiça

Clebya sempre trabalhou na área administrativa, com experiência em impostos, recursos humanos, contabilidade e cobranças. Apesar de não ter formação formal, desenvolveu habilidades práticas ao longo de sua trajetória profissional e se considera uma pessoa proativa e capaz.

Conhecendo seus direitos, ela não se resignou ao papel de vítima. Processou a empresa por discriminação etária e venceu a causa na Justiça, recebendo uma indenização de 1.500 reais. Atualmente, trabalha em outro escritório onde é respeitada e valorizada pelo seu trabalho.

Superação e marcas emocionais

Apesar de ter superado a situação profissionalmente, Clebya ainda carrega as marcas emocionais do período traumático. "Hoje, fico mal só de passar na porta do prédio do escritório", confessa. Ela evita até mesmo lembrar do que passou, mas sua experiência serve como alerta sobre os danos causados pela discriminação por idade no ambiente de trabalho.

O caso ilustra como o etarismo pode causar danos psicológicos profundos e a importância de buscar apoio profissional e jurídico quando confrontado com situações de discriminação no ambiente corporativo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar